22.3.16

O GOLPE CONTRA A CONSTITUIÇÃO E A PREPARAÇÃO DE UM CANUDOS URBANO

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -

O governo Dilma revelou um alto grau de incompetência na condução da política econômica. O mesmo não vale para a área social. Contudo, como a área social está abaixo das necessidades das classes médias, e as classes médias são manipuladas pela mídia às voltas com a própria incompetência em gerar caixa em face de seus altos custos e perda de público, cresceu vigorosamente o movimento pró-impeachment. Este se baseia, porém, não numa irregularidade específica cometida pela Presidenta, mas em incompetência na área econômica.

Diante disso temos um problema: há milhões de inconformados com Dilma, mas outros milhões que defendem o projeto Lula-Dilma, mesmo que não seja muito claro do que se trata. Neste momento, a vociferação da imprensa dá uma impressão falsa de que será muito fácil tirar Dilma do governo através do processo de impeachment. Embora a decisão seja política, a Constituição nomeia exatamente quais os atos praticados pelo presidente da República que a torna suscetível de impeachment. Incompetência não está entre eles.

A política pode dar à deposição da Presidenta uma capa de legalidade. Deu no Paraguai. Entretanto, o que exatamente deputados e senadores, ministros do Supremo e juízes de primeira instância, golpistas da Polícia Federal e promotores espetaculosos da Lava Jato, empresários irresponsáveis e parlamentares que votarem pelo impeachment esperam que acontecerá a partir do outro lado, e da interação do outro lado com o lado visto como golpista? Sim, porque os que se considerarem violentados pela usurpação do poder da Presidenta estão se preparando para reagir. O slogan “não vai ter golpe” recebeu um acréscimo: “vai ter luta!”

Os irresponsáveis, como essa dupla asquerosa de Skaf, da Fiesp, e Paulinho, do lado podre da Força Sindical, usando ambos dinheiro público para derrubar o governo, talvez apostem que, havendo uma “pequena” convulsão social, a Polícia Militar resolva. Se não conseguir, as Forças Armadas entram e dão um xeque mate. Com isso tudo estaria resolvido. A absoluta escassez de cérebro desses pseudo líderes os impede de ver que, no mundo contemporâneo, se não evoluírem para uma guerra civil generalizada, as convulsões sociais “justificadas” degeneram em ataques a propriedades, ataques a pessoas e terrorismo de dificílimo enfrentamento.

A opinião pública brasileira ignora completamente o que se passa no primeiro andar da sociedade. A imprensa não se dá ao trabalho de informá-la porque isso contrariaria seus propósitos de manipulação. Com isso, grande parte das classes dominantes e das elites dirigentes nos preparam para um banho de sangue sem que elas próprias tenham consciência clara disso. No meu entender, se não encontrarmos uma saída imediata – e estamos lutando para isso -, o desfecho de tudo será uma ditadura militar de prazo indefinido, precedida de um Canudos urbano com um novo massacre de inocentes!

*Economista, professor, doutor pela Coppe/UFRJ.