1.3.16

OS QUATRO ÚLTIMOS PRESIDENTES ELEITOS PELO VOTO DIRETO, COM PROBLEMAS NA JUSTIÇA

HELIO FERNANDES -


Antes do golpe de 64, a última eleição direta aconteceu em 1960. Foi eleito Janio Quadros, o maior "fenômeno" eleitoral da Historia. Suplente de vereador que assumiu o cargo, em 12 anos chegou a Presidente da Republica, nunca houve nada igual. (Alem de vereador, foi deputado estadual, prefeito, governador). Ocupou o Planalto  já apoiado por alguns generais golpistas, tentaram que "governasse com plenos poderes e sem prazo para sair". Não conseguiram, renunciou, aconteceu o que todos conhecem.

29 anos depois, em 1989, houve a primeira eleição direta. Muitos candidatos, alguns que estavam na fila ha muito tempo. Vários de São Paulo, Doutor Ulisses, Mario Covas, Lula. Brizola, governador de 2 estados. Surgiu um candidato quase no limite da idade mínima, com um quase desconhecido PMN. Seu nome: Fernando Collor. Apareceu com discurso retumbante, foi para o segundo turno com Lula, que ganhou de Brizola por meio ponto.

Collor assumiu, cometeu extravagâncias, abandonado e sem base político - partidaria,  sofreu o primeiro impeachment do Brasil. Recorreu ao Supremo, foi absolvido por unanimidade, "falta de provas".Cumpriu os 8 anos, voltou, senador eleito e reeleito, novamente investigado. Assumiu o vice Itamar, não havia reeleição, tinha menos de 2 anos para governar e escolher o sucessor.

Jogou tudo em FHC. Nomeado logo Ministro da Fazenda, a seguir acumulou o Ministério do Exterior, (interinamente, o nomeado, deputado José Aparecido, teve que ir para Cleveland fazer um transplante) já era candidatíssimo dele mesmo e do governo. Assumiu, loteou quase de graça o patrimônio nacional. Não satisfeito com 4 anos, comprou e pagou á vista outros 4.

Agora responde a processo , que ele mesmo chama de "vida privada". Numa parte pode até ser, mas a partir da manutenção da amante  e do filho, suas "justificativas" não resistem, o processo vai mostrar. Outro ponto que é publico, é a "falta de caráter" de quem tem uma relação fora do casamento. Não podia ser presidente, mas continuou arrogante como sempre. Quando começou toda essa crise política e econômica, declarou com convicção: "Se eu tivesse menos 10 anos". Não precisou completar.

O terceiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Presidente na quarta oportunidade,  teve que fazer os acordos mais surpreendentes, para não registrar a quarta derrota seguida. Fez as maiores concessões , não esperava que fosse adotado tão rapidamente, pelo que ele mesmo chamava  de "elite". E era mesmo. Foi beneficiado pela situação favorável do mundo, e do carisma pessoal. As duas coisas acabaram. Fora do poder, tem contra ele, até a publicamente protegida. Romperam na época do "volta, Lula". Não se reconciliaram, agora está cheio de processos e de acusações que não consegue responder.

Finalmente Dona Dilma, que também jamais poderia ter sido cogitada para a presidência. Cogitada, eleita e reeleita. E que desperdiçou miseravelmente, os primeiros quatro anos, e esse tempo da reeleição, que ninguém imagina até onde irá. Faltam 36 meses, como eu disse ontem. Não governa por falta de competência, de conhecimento, de grandeza, de generosidade, de objetivos.

Alem do mais, e a culpa não é de ninguém e sim dela. Seu mandato está oscilando entre o impeachment pelo Congresso e a cassação pelo TSE. A diferença no caso de Dilma, é que ela está sendo ameaçada e responsabilizada, enquanto está no cargo. (Está mesmo ?) O país não suporta tanta displicência com o interesse publico. E as pesquisas indicam isso. O que faz o processo ser retardado, é a fragilidade dos que podem substituí-la. È tudo segundo e terceiro time. Depois de dezenas de anos, a interrogação sofrida  se transforma em desalento melancólico:" Que país é esse, Francelino?".

0 grande personagem que foi Oswaldo Aranha, numa das inúmeras crises que teve que teve que enfrentar como Ministro da Justiça, da Fazenda, do Exterior, fez a analise, conceito, advertência, libelo:"O Brasil é um deserto de homens e de idéias". Não é mais deserto, faltam ainda homens e idéias.

A catástrofe que ameaça os EUA e o mundo, a super terça de hoje

Ha 15 ou 16 anos, Donald Trump tentou ser candidato a presidente, não conseguiu. Ninguém esperava que reaparecesse agora, e liderando as pesquisas republicanas. Está na liderança do partido, embora só agora tivesse recebido um apoio, do governador de Nova Jersey. Não é o mais grave. Pânico mesmo é  hoje, a"super terça".

São 12 previas simultâneas, o numero de delegados é elevadíssimo. Ele pode se garantir como candidato. Os EUA não podem ser presididos por Donald Trump, de jeito algum. Lógico, terá que derrotar Hillary. Ontem, defendendo as previas de SP, Alckmin falou:"Com elas surgiu o estadista Obama". Acertou uma, errou a outra. Personagens como Obama ganharam  espaço, com a Emenda 24 de 1952. Com as quatro eleições seguidas de Roosevelt, o Partido Democrata e o Republicano, se uniram, e por unanimidade fizeram a Revolução - renovação, que vigora até hoje. Só uma eleição e uma reeleição, depois mais nada, nem eleito nem nomeado.

A reviravolta do Oscar

Com o protesto publico do cineasta Spik Lee, "não existe premiação para negros no Oscar", a repercussão retumbante transformou tudo. Jamais existiu uma premiação como a de agora. Polemica do principio ao fim, debates, ironia, negros elogiados e até reverenciados. Do ponto de vista técnico, quase ninguém acertou. Vi com antecedência os indicados, um grande amigo me mandou copia de todos.

Escrevi que não gostei de "Regresso" nem  de "A Grande Aposta". Meu preferido era "SpotLigth", corajoso, real, enfrentando a Igreja na questão do abuso contra jovens. E altamente elogioso para o "jornalismo investigativo", a realidade da imprensa de hoje.

Mudou muito, e para pior, a cobertura dos mais diversos canais de televisão. Que saudades dos tempos de José Wilker, Ely Azeredo e outros como eles.  Que transformavam a noite do Oscar , num prazer e numa fonte inesgotável de conhecimento.

O confronto

A confusão é cada vez mais complicada, sem conciliação e aumentando a hostilidade. Aberta  ou escondida. Ontem, finalmente,derrubaram o Ministro da Justiça. Levaram um ano mas conseguiram. Em março de 2014, José Eduardo Cardoso conversou com a presidentA sobre seu futuro.Deputado Federal licenciado, precisava se desecompatibilizar para renovar o mandato. Ela não concordou, "você começou comigo , sai comigo". Não aguentou a pressão, ele será Advogado Geral da União.

Para o seu lugar, Jaques Wagner indicou um Procurador que trabalhou com ele na Bahia. Aceitou mas perguntou até onde ia sua relação com a Policia Federal. Conselho de Wagner, cada  vez mais importante e poderoso:"Toma posse e descobre pessoalmente". Dois trunfos ou triunfos do ex-governador, no fim de semana.1- Foi o único Ministro a comparecer á festa do PT. 2- Mais tarde, defendeu com veemência o ex- presidente Lula. Só recebeu abraços e cumprimentos.

Sobre o futuro da histórica e centenária ABI, surge a esperança

PS - Tudo indica que o presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Imprensa – ABI, o laureado e um dos maiores historiadores do país, Ivan Cavalcanti Proença, após tecer na Reunião do Conselho do dia 29 de (ontem) severas criticas a postura do presidente da entidade, Domingos Meirelles, tenha com isso acenado com uma renovação. Para os conselheiros presentes, a posição do jornalista, sinaliza que poderá liderar uma chapa de oposição a ineficiente diretoria da ABI, que pelo que se discutiu, não conseguiu evoluir absolutamente em nada, no cumprimento das promessas quando se elegeu em 2014.

Os oposicionistas reclamam que Meirelles acumula ações de toda ordem, respondendo entre outros por atos cometidos contra um dos seus diretores o jornalista e editor Orpheu Santos Salles, decano do jornalismo e editor da conceituada revista Justiça & Cidadania.

PS1 - A eleição será em abril próximo e as movimentações de bastidores indicam um desfecho eleitoral que poderá reavivar as cores da centenária e histórica instituição. Para quem não sabe, o prédio sede da ABI é um Monumento a arquitetura brasileira, e se encontra hoje, em completo abandono, tanto material e cultural.

PS2 - A ABI teve entre seus presidentes Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho, um nacionalista, que fez da sua  profissão um meio de levar a população brasileira à conscientização política e social. Em 1926, aos 29 anos de idade, assumiu pela primeira vez a Presidência da Casa. Durante seu quarto mandato, em 1992, foi o responsável direto pelo pedido da abertura do impeachment de Fernando Collor de Mello e o primeiro orador inscrito para defender o processo.

PS3 - Em 1969 o ex-presidente da Casa, Fernando Segismundo, defendeu que (...) “que a associação deve interpretar o pensamento, as aspirações, os reclamos, a expressão cultural e cívica de nossa imprensa; preservar a dignidade profissional dos jornalistas — e não apenas a de seus sócios; acautelar os interesses da classe; estimular entre os jornalistas o sentimento de defesa do patrimônio cultural e material da Pátria; realçar a atuação da imprensa nos fatos da nossa história; e colaborar em tudo que diga respeito ao desenvolvimento intelectual do País”. Mas, segundo os protestos da oposição, com a atual administração isso não está acontecendo.