2.3.16

POLÍTICA: PARA NÃO SER IDIOTA

GILBERTO CLEMENTINO -

O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante do idiota que quer bancar o inteligente (Confúcio)

Sempre com seu conhecimento e aplaudido dom da oratória o professor e filósofo Mário Sérgio Cortella brinda, principalmente, a população brasileira com um trabalho literário importante. Dessa feita, em parceria com o também filósofo Renato Janine Ribeiro publica “Política: para não ser idiota”. E não sem razão explica de modo inequívoco o sentido da palavra idiota, pelo ângulo etimológico. De origem grega, tem o sentido primitivo de idiotes era o de “homem privado”, isto é, metido com seus próprios afazeres, olhando sempre para seu próprio umbigo, afastado da gestão da coisa pública. Na sociedade grega da época, isso era o mesmo que dizer “pessoa sem instrução”, pois só tomava parte na vida pública quem tivesse algumas luzes. Ou seja, cada um que cuide de si e Deus de todos.

Em sua coluna na revista Veja, o jornalista Sérgio Rodrigues divagando também sobre o tema escreveu “O idiota nem sempre foi estúpido”. Acrescentou: Naturalmente, já no próprio grego a palavra começou a ter uso pejorativo. Afinal, a condição de “homem privado”, de leigo em questões do Estado, era uma marca de inferioridade de classe. Quando chegou ao latim, idiota já carregava, ao lado da acepção primitiva de “pessoa simples, sem instrução, iletrada”, a de “pateta, parvo, tolo”.

Em contraponto ao idiota, em termos de participação coletiva, também do grego “politikos”,política, que significa “de, para, ou relacionado a grupos que integram a Pólis“). Denomina-se a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados; aplicação desta ciência aos assuntos internos da nação (política interna) ou aos assuntos externos (política externa). Nos regimes democráticos ciência política é a atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seu voto ou com sua militância. Então, esqueça o olhar para o próprio umbigo e volte-se para o coletivo, para a cidadania. Logo, se “politikos”, político, o homem se encontra voltado para o pensamento abrangente, coletivo, no melhor sentido da palavra. Ou seja, cuidemos uns dos outros e Deus ajudará a todos.

Tudo isso, para uma óbvia conclusão: os ausentes nunca têm razão.  O livro de Mario Sergio Cortella e Renato Janine Ribeiro, portanto, mais um alerta para fugir do rótulo idiota, parvo, tolo. Em sua descrição de conteúdo temos: “Devemos conclamar as pessoas a se interessarem pela política do cotidiano ou estaríamos diante de algo novo, um momento de saturação do que já conhecemos e maturação de novas formas de organização social e política? Este livro apresenta um debate inspirador sobre os rumos da política na sociedade contemporânea. São abordados temas como a participação na vida pública, o embate entre liberdade pessoal e bem comum, os vieses de escolhas e constrangimentos, o descaso dos mais jovens em relação à democracia, a importância da ecocidadania, entre tantos outros pontos que dizem respeito a todos nós. Além dessas questões, claro, esses pensadores de nossa realidade apontam também algumas ações indispensáveis, como o trabalho com política na escola, o papel da educação nesse campo, como desenvolver habilidades de solução de conflitos e de construção de consensos. Enfim, um livro indispensável ao exercício diário da cidadania”.

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