4.3.16

QUEM DÁ MAIS, LEVA…

CARLOS CHAGAS -


Em plena temporada de mudança de partidos, com deputados e senadores dispondo de trinta dias para trocar de legenda sem a punição legal da perda de mandatos, vale aguardar pelo término do prazo para que se tenha a conta do estrago feito no princípio da fidelidade partidária. Bom resultado não sairá desse troca a troca. Afinal, quando da abertura da possibilidade da filiação de cada cidadão aos partidos à disposição do conjunto, havia liberdade absoluta para o ingresso no grupo melhor afinado com a ideologia acorde com sua tendência. Limitação não existia. Como agora, poucos anos depois, permite-se a debandada para apriscos que politicamente nada tem a ver com a posição inicial?

A primeira conclusão é de que os partidos carecem de ideologia. São aglomerados sem embasamentos voltados para inclinações programáticas. Aliás, com raras exceções, sempre foi assim.

Só que dessa vez está demais. Dezenove partidos é absurdo, em especial se nenhum mantém unidade pelo menos por uma Legislatura. Deputados e senadores saltam de cá para lá conforme cargos e funções oferecidas. Dos 513 deputados 60 já mudaram ou estão mudando. Quando terminar o prazo, pelo menos 20 senadores.

Não haverá que esquecer razões de ordem financeira e até fisiológica. Quem dá mais, leva. Parecido com os times de futebol. Ainda bem que nos partidos políticos nacionais veda-se a troca internacional, caso contrário PT, PMDB, PSDB e dezenas de outras legendas estariam cedendo craques a partidos espanhóis, franceses, alemães e até chineses.

EXECUTIVOS OU LEGISLATIVOS

Sucedem-se as temporadas em que a opinião pública assesta suas baterias ora sobre políticos do Executivo, ora do Legislativo. Na atual quadra, vem dando   empate. Fosse feita uma pesquisa sobre quem o eleitor mais detesta, daria Dilma Rousseff ou Luís Eduardo Cunha? Claro que existem outros, mas os presidentes da República e da Câmara se equivalem.

Hipoteticamente, Madame ainda dispõe de tempo para recuperar-se, embora as novas acusações sejam arrasadoras, mas ao deputado parece faltar espaço, na medida em que se vê premido pelo Supremo Tribunal Federal e pela Câmara. Perderam, ambos, oportunidade de se acertarem. Também, bem feito.