22.3.16

RESISTIR AO GOLPE BRANCO É PRECISO

MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND -


Impressionante, o senador José Serra em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo deixou claro que se Dilma Rousseff for afastada da Presidência, como ele e seus seguidores querem, pretende “ajudar” o Café Filho (1) do Terceiro Milênio, ou seja, Michel Temer, a montar um “Plano de Reconstrução Nacional”.

Serra e os golpistas do PSDB juntam-se a eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e outros do gênero, para levar o país a seguir o que não foi conseguido antes, ou seja, entregar o as riquezas nacionais ao capital financeiro internacional.

Serra é uma figura manjada, já tendo sido citado no site WikLeaks como vinculado a uma empresa estrangeira da área petrolífera. Se o impeachment passar, como se esforçam os golpistas, o que resta do Brasil vai ser entregue de mão beijada.  E podem crer outra coisa, bandidos corruptos, próximos ao PMDB, PSDB, DEM, PPS e outros vão ser poupados.

É isso, depois de tantas lutas em favor dos valores democráticos, o Brasil encontra-se numa situação limite, ou preserva-se a legalidade democrática ou então teremos efetivado o golpe branco, terminologia já utilizada pelo Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel ao comentar o momento atual no país.

O Presidente do Equador, Rafael Correa, também já alertou que está em andamento uma nova edição do Plano Condor, que visa derrubar governos progressistas, como o do Brasil e da Venezuela, para colocar no poder figuras sabidamente vinculadas ao império norte-americano.

Não é segredo que Washington está há tempos de olho no pré-sal. Tanto assim que em 2013 esteve por estas bandas o vice-presidente estadunidense, Joe Biden. Encontrou-se com a presidenta Dilma Rousseff e abriu o jogo. Queria o pré-sal para o seu país. Dilma disse não e aí, por coincidência, começaram os protestos.

Há quem diga que tal afirmação é uma visão conspiratória da história, uma paranoia. Outras crises no país, como em março/abril de 64 falava-se a mesma coisa. E os documentos oficiais que foram sendo liberados pouco a pouco comprovaram que muitas “paranoias” da época, não eram propriamente paranoias, mas a realidade.

Serra é uma figura política execrável, da mesma forma que o ex-presidente FHC. Serão em algum momento julgados pela história. Cardoso vendo o desenvolvimento do golpe midiático, judicial e parlamentar acabou se posicionando em favor do impeachment. Antes pedia a renúncia de Dilma Rousseff. Não é cobrado pelo que fez em seus dois governos em matéria de entrega do país de mão beijada. Nem muito menos sobre denúncias recentes feitas pela ex-namorada Miriam Dutra, que diz ter provas concretas sobre a remessa de dinheiro para ela através de um empresa, a Brasif. Será que a Polícia Federal e o Ministério Público vão a fundo investigar a denúncia?

Querem agora repetir e “limpar o cofre”, ou seja, entregar o que resta do Brasil. Se conseguirem mesmo consumar o golpe branco, em pouco tempo colocarão em prática verdadeiramente não a Reconstrução Nacional, mas sim a Destruição Nacional.

Lamentável que instituições com a Ordem dos Advogados do Brasil, por exemplo, estejam embarcando nesta canoa destruidora da legalidade democrática.  Da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), hoje capitaneada por Paulo Skaff, não poderia se esperar muita coisa.  Não chega a ser surpresa, portanto, o apoio que estão dando ao golpe branco e até os manifestantes que ocupam a Avenida Paulista, exatamente em frente à sede da entidade.

Quanto à mídia conservadora, é tão visível à participação no andamento do golpe branco, que mereceria isto sim, um posicionamento mais enfático de jornalistas. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), hoje dominada por uma diretoria linha auxiliar o patronato midiático conservador, envergonha os jornalistas e deve estar fazendo virar no túmulo ex–presidentes da entidade como Barbosa Lima Sobrinho e Maurício Azêdo, para não falar de um dos fundadores da entidade secular, Gustavo Lacerda.

Resta então aguardar o desenrolar dos acontecimentos, não em silêncio comprometedor, mas resistindo às investidas da mídia conservadora, do judiciário comprometido e do parlamento que defende interesses.

Nesta sintética análise dos acontecimentos, não foi mencionado o papel nefasto do judiciário, que está mais interessado a que certas figuras façam espetáculos pirotécnicos na mídia do que outra coisa. No futuro, quando este período for analisado por acadêmicos, o judiciário e alguns de seus “heróis” de hoje serão melhor conhecidos, certamente. Mas importa que nos dias atuais sejam denunciadas certas figuras que escondem seu partidarismo na toga. Ou alguém tem dúvidas a esse respeito?

Em tempo, Chico Buarque de Holanda agiu muito bem, está de parabéns, ao impedir a continuidade de suas criações musicais em uma peça teatral de um ator global, um tal de . Claudio Botelho, que ofendeu gratuitamente a presidenta Dilma Rousseff. Este senhor acha que tudo pode e deve estar sendo estimulado. Mas a maior parte da plateia deu a resposta e o “espetáculo” não foi ao fim. E aí vem este Botelho apoiador do golpe branco para comparar o que aconteceu com a invasão da extrema direita (a turma do Bolsonaro) na época da ditadura na peça Roda Viva, com a atitude de Chico Buarque. Botelho demonstrou concretamente que é ignorante em matéria de história, porque uma coisa é uma coisa, a outra é outra. Mas, em suma, o que esperar deste Botelho global?