13.3.16

SAUDAÇÃO FASCISTA NO PROTESTO: QUEM VAI PÔR DE VOLTA O FANTASMA NO ARMÁRIO?

Por KIKO NOGUEIRA - Via DCM -

O governador do Maranhão, Flávio Dino, falou em entrevista, dia desses, no “novo traço do brasileiro, que é a falta de razoabilidade”.

Para Dino, “o ódio que já havia nas redes sociais transbordou para as ruas e o nome disso é fascismo. Tiraram o gênio do fascismo da garrafa e agora não sabem como colocá-lo de volta.”

Veja a imagem abaixo.

São manifestantes em Curitiba fazendo uma saudação clássica. Não é bonito?

A conversa de que o protesto é contra a corrupção foi desmoralizada pelos bandidos oficiais e pelo próprios manifestantes. A rede Habib’s, que quis pegar carona na onda antipetista, está sob investigação por fraude fiscal. Agripino Maia, o presidente do DEM, que réu em vários crimes, conclamou os brasileiros a ir para as ruas.

Etc.

O que sobrou?

A fúria homicida contra um partido, contra seus seguidores e contra seu líder. Um cartaz na Fiesp mostrava Lula e Dilma com um tiro na cabeça. Bonecos dos dois eram decapitados numa guilhotina.

Uma picape levava pessoas vestidas como os dois numa jaula, exatamente como os assassinos do Estado Islâmico fazem com suas vítimas.

Duas lideranças sobressaem desse caldo: Sergio Moro e ele, Jair Bolsonaro, homenageados, sobretudo, pela canalha pedindo intervenção militar.

Tudo faz parte do show: a cobertura ao vivo da GloboNews se incumbiu de inflar números quando as imagens não favoreciam. Uma lupa foi adicionada às câmeras de modo a fechar o ângulo quando necessário.

Em Ribeirão Preto, “segundo os manifestantes”, havia 55 mil pessoas (que cabiam, misteriosamente, em três ruas). No Rio de Janeiro, a PM declarou que não fará a contagem. Ficamos, portanto, com a contagem oficial dos organizadores: entre 750 mil e um milhão.

São os coxinhas de sempre, apenas mais animados para exercer sua indignação seletiva, sua intolerância, sua hipocrisia e seu autoritarismo.

Os salvadores da pátria sempre aparecem depois. Stalin se orgulhava de ser honesto, Mussolini dizia que o atraso econômico da Itália era causado pela corrupção da classe política, Hitler atribuía aos socialistas e aos judeus a crise na Alemanha.

Collor, até ser enxotado pelos mesmos que o inventaram, era o “caçador de marajás”. Não haverá recuperação econômica mágica quando o governo Dilma cair, mas não importa. Se a matilha nas ruas não fosse tão primária, acharia no mínimo estranho estar trabalhando para pulhas como Michel Temer, Eduardo Cunha, Aécio Neves, Marta Suplicy et caterva. Como a questão virou destruir o “governo comunista”, a Dilmanta e o Lularápio, vamos em frente.

A questão é quem virá depois. A foto no início do texto dá uma pista.