8.4.16

A bancada rural, (60 votos) intimidada pelo MST, ameaça votar a favor do impeachment. Constrangimento para a Ministra Kátia Abreu

HELIO FERNANDES -

Num encontro ocasional no Planalto, dirigentes do movimento dos sem terra, se confrontaram e hostilizaram a bancada rural. Têm flagrantes diferenças e interesses divergentes, se enfrentaram. Como a CNA bradasse que iria votar a favor do impeachment, recebeu resposta na hora. Textual do MST: "Se vocês votarem contra a presidente Dilma, invadiremos suas fazendas, queimaremos tudo, revelaremos ao Brasil o que vocês são e o que representam".Apavorados os dirigentes da CNA ficaram em silencio.

Agora aparecem em publico, revelando como votarão no impeachment e as razões fundamentais. Mas escondem a verdade. Criticam o governo Dilma, e afirmam que "não tem mais condições de governar”. O que é verdade. Mas "estão" no poder, têm até um ministério, o da Agricultura, ocupado por uma fazendeira e amiga intimissima da presidente. È a senadora Katia Abreu, envergonhadíssima. A CNA vota por represália e medo, confessado.

O Advogado Geral da União: certo na analise, errado na omissão

Acertou em cheio na Comissão do impeachment, quando afirmou que entraria no Supremo contestando a criação da Comissão. Elogiei, mas chamei a atenção: só pode entrar agora, em pleno funcionamento e não depois do resultado. Ontem, apesar de brilhante na defesa - exposição, voltou a se equivocar na solução. Agiu como um médico que acerta no diagnóstico, mas receita o remédio errado ou com a validade vencida.

José Eduardo Cardoso declarou ontem: "Vou pedir ao relator que retire suas afirmações e conclusões, ou entrarei na Justiça". Disparate completo e novamente desacertado. Ele não tem a menor ingerência sobre o relatório, do relator não pode exigir nada. Pode discordar pagina por pagina, linha por linha, mas na Justiça, quer dizer, no Supremo. Mas o tempo está se esvaindo, pode perder a oportunidade.

Lula bravateou que seria ministro, ontem

Na posição dele, deve e deveria ser o mais discreto possível. Acusado por todos os lados, sem condições de explicar a propriedade, mesmo sem o seu nome, do triplex e do sitio de Atibaia, se perde no medo que revela na ida para Curitiba, uma cidade agradabilíssima. E também não consegue explicar as altas receitas das conferencias que ninguém ouviu. Apesar de dizer com a arrogância habitual: "Todo mundo quer me ouvir,mesmo eu cobrando mais caro do que o Bill Clinton".

Não foi Ministro ontem, como alardeou ou antecipou. E se for, deve demorar mais do que imagina. Talvez só depois da votação do impeachment no plenário. O ex-presidente insiste em ignorar a participação no episodio, do Ministro Gilmar Mendes. Este é o relator, tem que estar presente. E precisa ser muito desinformado para ignorar o fato: Gilmar não tem o menor interesse em favorecer o Lula. E agora, já é presidente eleito do TSE, tremam os que dizem, "tivemos nossas contas apresentadas e aprovadas pelo TSE". Antes das denuncias.

O estranho relatório do relator, que não redigiu o texto, apoiando abertamente o impeachment

Ontem deixei bem clara a inoperância e até imprudência dele, se responsabilizando pelo conteúdo e a autoria do documento. Atropelou a leitura, recorreu a quem estava do seu lado, para "decifrar "alguma coisa que não entendia. Hoje mostrarei fatos, fatos, fatos que comprovam o que estou dizendo. Jovair Arantes é dentista de formação, tudo que fala é da boca para fora.

Leu um texto de 400 paginas em 4 horas e 10 minutos. Nem mesmo íntimos ou apaniguados acreditam que tenha ecletismo suficiente para mudar da assustadora broca dentaria, para o confortável e tranqüilo computador. Nem teria tempo. Os trabalhos terminaram na terça, teria 5 dias para preparar e entregar aquilo que leu. Abriu mão do prazo, afirmou: "Amanhã, quarta lerei o texto final". O que fez, assombrosamente. Redigir 400 paginas seria exaustivo e exigiria muito tempo, até para escritores profissionais. Estes, geralmente estabelecem quantas paginas redigirão por dia.

400 paginas é mais do que um livro. Jovair recebeu imediatamente na noite de terça, o que começaria a ler na tarde de quarta, terminaria á noite dessa mesma quarta. Fez entusiasmado e justíssimo elogio á "minha brilhantíssima equipe, sem ela seria impossível este trabalho”. Tudo esclarecido, a conclusão: como acreditar num relator que não redigiu o relatório, mas produziu muito mais do que exigia seu chefe e protetor, Eduardo Cunha, que o Procurador Geral chama de DELINQUENTE .O relator não expressa uma convicção, se transforma em porta-voz da conspiração.O relator é quase delator.

A opinião da Consultoria Tendência

Integrada por grandes sócios economistas, incluindo ex-ministro, deveria ter mais cautela. São especialistas em analise, e não em conclusões tendenciosas. Ontem revelaram: "O impeachment é a solução mais democrática e normal". Exagero. Com isso apóiam e garantem a posse do conspirador Michel Temer. Normalmente economistas não conhecem historia, o que se constata na declaração-opinião da Tendência.

Desde 1889, com a Republica, implantada e não promulgada, o Brasil tem quase tantos vices que assumiram, do que presidentes que chegaram ao fim do mandato. Vargas foi sábio: ficou 15 anos indireto e sem eleição, mas sem vice.Em 1950, com vice perdeu o cargo para ele.

Eduardo Cunha perde duas vezes no Supremo

A Comissão de Ética arrolou 8 testemunhas para deporem sobre ele. Entrou no mais alto tribunal do país alegando que não podiam depor, fizeram delação na Lava-Jato, "não tenho nada com isso".Quarta o recurso foi negado por Teori Zavascki, ontem quinta, por Carmem Lucia.Ele só não responde em Curitiba, porque a Constituição é contraditória.Garante que "todos são iguais perante a Lei", e a seguir cria o "foro privilegiado " para alguns.Uma das testemunhas foi depor, afirmou,"entreguei 5 milhões de dólares a  Eduardo Cunha, por ordem do doleiro Youssef".

Comissão do impeachment

Começa hoje, ás 3 da tarde, uma das ultimas sessões antes da votação. Pelo calculo do próprio presidente, levará 32 horas, atravessará a madrugada, todo o sábado, terminando ás 10 da noite, quase no domingo. Objetivo: que haja manifestação a favor do impeachment. O que se repetiria no outro fim de semana, na votação final. A bancada governista é contra, não tem o que fazer.

PS- Lula afirmou que ontem, quinta, seria ministro. Muito ao contrario, teve que fazer um longo, exaustivo e cansativo depoimento na Procuradoria Geral. Saiu reclamando.

Amanhã: a empreiteira não envolveu a presidente Dilma. Executivos da Andrade Gutierrez disseram que doaram dinheiro legal, mas proveniente das propinas da Petrobras. Quer dizer: com cheiro de petróleo.