14.4.16

O “CONSÓRCIO DE BANDIDOS” DA COMISSÃO ESPECIAL. GLOBO E CUNHA MONTAM SHOW DO IMPEACHMENT

Por ALTAMIRO BORGES -Via blog do autor -


Na insanidade geral que tomou conta do Brasil nos últimos tempos, os "midiotas" que vibram com a possibilidade da deposição de Dilma são massa de manobra de um "consórcio de bandidos" - como bem definiu o ex-governador cearense Ciro Gomes. Dos 65 membros da chamada "comissão especial do impeachment", que aprovou nesta segunda-feira (11) o relatório golpista de Jovair Arantes (PTB-GO), 36 deputados federais respondem ou já foram condenados por algum crime na Justiça comum ou eleitoral. Muitos são notórios corruptos, mais sujos do que pau de galinheiro, que estão prestes a condenar uma presidenta que nunca foi denunciada por qualquer crime. Um verdadeiro absurdo!

Com base em uma plataforma da ONG Transparência Brasil, o portal da EBC fez um levantamento da biografia destes algozes. Dos 36 que respondem a questionamentos judiciais, 20 aprovaram o parecer do deputado Jovair Arantes que recomendou o impeachment de Dilma. Além de golpistas, alguns destes moralistas sem moral já deveriam ter sido julgados, condenados e presos. Vale conferir:

1- Mendonça Filho (DEM-PE). Como presidente dos demos pernambucanos, o deputado faz parte dos processos na Justiça Eleitoral que rejeitaram as contas do partido por irregularidades na arrecadação de campanhas em vários municípios do Estado.

2- Leonardo Quintão (PMDB-MG) é alvo de ação civil por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Estadual.

3- Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). O deputado presidia a sigla na Bahia em 2007, quando a prestação de contas foi reprovada pela Justiça Eleitoral.

4- Mauro Mariani (PMDB-SC) é réu em ação por improbidade administrativa. A ação foi extinta em primeira instância, mas o Tribunal de Justiça de Santa Catarina anulou a decisão. O deputado recorre no Superior Tribunal de Justiça.

5- Osmar Terra (PMDB-RS). O Tribunal de Contas do Estado apontou irregularidades nas gestões de Terra na Secretaria de Saúde e em uma prefeitura e o condenou a pagamento de multa.

6- Jerônimo Goergen (PP-RS) é alvo de inquérito da Operação Lava Jato. Ele também responde por improbidade administrativa referente a indicação de assessor parlamentar que agia como funcionário fantasma, recebendo os valores do cargo sem a realização das atividades devidas.

7- Júlio Lopes (PP-RJ) é alvo, no STF, de inquérito que apura apropriação indébita previdenciária. O processo está suspenso, pois o parlamentar está efetuando o pagamento dos débitos.

8- Paulo Maluf (PP-SP) foi condenado por improbidade administrativa pelo superfaturamento na obra do túnel Ayrton Senna e pelo uso de dinheiro público para a promoção pessoal durante o período em que foi prefeito de São Paulo. Também é réu em ações por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, crimes contra o sistema financeiro nacional, participação em ocultação de cadáveres de militantes durante a ditadura militar e improbidade administrativa em diferentes instâncias.

9 Alex Manente (PPS-SP) é alvo de inquérito que apura a prática de crimes eleitorais e responde no Tribunal de Justiça de São Paulo ação por improbidade administrativa e dano ao erário movida pelo Ministério Público.

10- Marcelo Squassoni (PRB-SP) foi condenado por improbidade administrativa por uso da máquina pública para favorecimento pessoal, mas recorre da decisão. Também é alvo de inquérito sobre crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, no período em que chefiou a gerência regional do Patrimônio da União em São Paulo e responde por improbidade administrativa com dano ao erário no TJ-SP.

11- Danilo Forte (PSB-CE) é alvo de inquérito que investiga violações de direito e processo eleitoral e de ações de improbidade administrativa movidas pelo Ministério Público Federal.

12- Marco Feliciano (PSC-SP) teve a prestação de contas da eleição de 2014 para deputado federal reprovada. É alvo de inquérito que apura irregularidades na contratação de cinco pastores da igreja Catedral do Avivamento, fundada pelo parlamentar, que trabalhariam em seu gabinete, mas não cumpriam expediente. Também responde a pedido de indenização por danos morais difusos.

13- Marcos Montes (PSD-MG) foi processado em ação civil de improbidade administrativa. Ele recorreu no STJ.

14- Rogério Rosso (PSD-DF) foi indiciado por corrupção eleitoral no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal;

15- Carlos Sampaio (PSDB-PR) teve a prestação de contas referente às eleições municipais de Campinas de 2008 reprovadas, o mesmo ocorreu nas eleições de 1998.

16- Nilson Leitão (PSDB-MT) teve reprovadas as contas referentes ao exercício de 2010 do diretório regional da sigla. O parlamentar era o presidente regional do partido na época. Ele também responde por corrupção passiva, crimes de responsabilidade, inquéritos que apuram crimes da Lei de Licitações e ações civis de improbidade administrativa.

17- Shéridan Estérfany (PSDB-RR) é alvo de ação civil de improbidade administrativa no Tribunal de Justiça de Roraima e também reponde a inquérito, no STF, que apura crimes eleitorais.

18- Jovair Arantes (PTB-GO) teve rejeitada a prestação de contas referente às eleições de 2012 e 2006. Também é alvo de ação movida pelo Ministério Público Federal referente a crimes de improbidade administrativa.

19- Fernando Francischini (SD-PR) é alvo de ação civil no Tribunal de Justiça por improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público e de ação movida pela Defensoria Pública do Paraná.

20- Paulinho da Força (SD-SP) foi condenado no Tribunal Regional Federal da 3ª Região por improbidade administrativa. No STF, o deputado é réu em ação penal sobre crime contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Responde no STF por peculato e atos de corrupção passiva. Também é alvo de ações civis públicas movidas pelo Ministério Público que apuram danos ao erário.

Globo e Cunha montam show do impeachment

A operação de guerra para forçar a aprovação do impeachment da presidenta Dilma já está montada. O correntista suíço Eduardo Cunha, que ainda preside a Câmara Federal, usou todos os expedientes para apressar e manobrar a votação. Já a bilionária famiglia Marinho, dona da Rede Globo e acusada de sonegação de impostos e de outros crimes, montou um verdadeiro show para o próximo domingo (17). O objetivo é criar um clima de já ganhou, levando os "midiotas" às ruas para constranger os deputados na hora do voto. A emissora inclusive anunciou que vai alterar sua grade de programação. Até os horários das partidas de futebol estão sendo mudados por pressão do império global.

Segundo a jornalista Keila Jimenez, do portal R7, "a Globo promete acompanhar a movimentação em Brasília desde as primeiras horas do dia e vai transmitir a votação ao vivo na TV aberta, e na paga, na GloboNews. Os comentaristas políticos do canal do grupo já foram escalados para o final de semana. Links por diversas cidades vão acompanhar as manifestações populares". O "show do impeachment" não contará apenas com o império global. As outras emissoras também estão engajadas na cavalgada golpista. "Faustão? Faro? Eliana? Não. Domingo é dia de política na TV. Só vai dar Brasília. As maiores redes de televisão prometem abrir a programação ao vivo para transmitir, direto da Capital Federal, a votação do processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados".

O show midiático só foi garantido graças às manobras do correntista suíço Eduardo Cunha, o chefão da trama. O mafioso apressou a montagem da "comissão especial" e a votação do relatório de cartas marcadas. Tudo para garantir a consumação do golpe em pleno domingo. Em entrevista nesta terça-feira (12), Eduardo Cunha afirmou que a sessão deverá estar concluída às 21 horas. "Estou prevendo quatro horas de votação. São 513, tem segunda chamada daqueles que não compareceram, tem o tempo de deslocamento até o microfone. Somando o gasto com cada procedimento desse meio minuto, serão 256 minutos, o que dá 4 horas e 16 minutos”, calculou o cínico corrupto.

As manobras do correntista suíço

Em outra manobra, o lobista da Câmara Federal garantiu a votação a partir dos deputados do Sul e do Sudeste - onde a direita tem a maioria dos votos. Tudo para favorecer o clima do "já ganhou" e para servir de munição às redes de televisão. Até a insuspeita Época, da famiglia Marinho, confessou que "o objetivo seria criar uma onda pró-impeachment durante a votação". Em 1992, durante a votação do impeachment de Fernando Collor, a chamada dos deputados foi realizada por ordem alfabética. "O argumento à época era o de que se pretendia evitar o direcionamento do resultado", lembra a Folha.

Pesquisa Datafolha divulgada no sábado (9) confirmou que três em cada quatro brasileiros defendem a cassação de Eduardo Cunha. Somente 11% dos entrevistados apoiaram o correntista suíço. Mesmo assim, ele segue na presidência da Câmara Federal e no comando do golpe - sempre em conluio com a TV Globo e o restante da mídia venal, que agora montam o deprimente "show do impeachment".