7.4.16

O PMDB não desembarcou do governo, mas desembarcou do Temer

HELIO FERNANDES -

Estão todos cansados, confusos, desorientados, sem rumo, sem esperança e aparentemente desacreditando no próprio destino. Dona Marina depois de duas derrotas com 20 milhões de votos, desaparece, deixa a impressão de desinteresse total. Pois agora volta ao palanque principal, mas atirando contra o próprio patrimônio.
Em pesquisas não muito convincentes, mas pelo menos o que temos, afirma de forma retumbante: "Precisamos com urgência de eleições gerais". Parece orientada e aconselhada por Temer, Dilma e até o "jovem presidenciável" Aécio Neves. Pois nessa terrível confusão, o mais absurdo e impossível (isso mesmo: IMPOSSÍVEL) de acontecer é o que chamam de eleição geral.

Nesse roteiro escrito por medíocres interessados, e seguido por espertos, movidos pelo interesse pessoal, seriam necessárias e indispensáveis varias renuncias a cargos que ficariam pelo caminho. Dona Marina, líder nas pesquisas, deveria lutar por eleição imediata, exclusivamente para presidente e vice. Alem do mais, não poderia ser acusada de defender uma causa que serve ou serviria prioritariamente a ela. Pois a que mais junta e identifica o mundo político com o povo, é essa.

Logicamente, o ponto de partida seria a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Venho tratando do assunto ha meses. Por isso tenho informações preferenciais. A Ministra relatora, estuda o caso ha muito tempo, não entrega o trabalho, nem ninguém lhe cobra nada. O fato de notoriamente ser contra a cassação da chapa, não impede que deixe o colegiado sem examinar e votar a importantíssima questão.

Ha mais de 1 mês, com fontes ótimas, cheguei a um resultado de 4 a 3 a favor da cassação. Mas registrei e devo chamar a atenção para o fato: a partir de maio, modificações no TSE. São 7 Ministros. Entra Rosa Weber, sai Fux, muda pouco.

Mudança mesmo na presidência. Dias Toffoli, que é a favor da cassação, escolheu a relatora que é contra, por excesso de maquiavelismo. Explicou não oficialmente: "Como ela votará contra de qualquer maneira, ficando como relatora, não terá muita oportunidade ou tempo para conquistar algum voto".

Modificação mesmo virá com o novo presidente, Gilmar Medes. A favor da cassação, não assistirá pacifica ou passivamente, a paralisação ou obstrução. Ontem, no intervalo de uma conferencia - debate em São Paulo, revelou: "Farei grandes modificações no TSE". È o que se esperava e se espera de um Ministro com o estilo Gilmar Mendes.

A economia, que desespero

Todos os setores atingidos desfavoravelmente. O desemprego, fechou 2015 com 9 milhões e 600 mil sem trabalho. Neste março que acabou, o numero tétrico e assustador,ultrapassando os dois dígitos.São 10 milhões e 200 mil.E não existe nenhuma possibilidade de criação de vagas. A indústria automobilística (montadoras), que teve o pior ano em 2015, neste 2016 caiu 23 por cento na comparação. Isso é irrespondível, um dos maiores empregadores.

A inflação desmente o Ministro da Fazenda, fica em mais 7,9. E Tombini tem suas afirmações destruídas. Garantia "inflação de 4,5 no centro da meta", está longe de casa. O PIB, com números que não trazem esperança nem mesmo para 2017. Seria reduzido em 0,50,ficaria então em 13,75 , que o presidente do Banco Central considera "razoável".

Eduardo Cunha: corrupto, melífluo, insólito, insultuoso

È inacreditável, inaceitável, insuportável que ainda esteja na presidência da Câmara, agindo para aumentar a velocidade do processo contra um presidente da Republica, culpado ou não. E ao mesmo tempo, usando das maiores ilegalidades, irregularidades e falcatruas regimentais, para que o seu processo não ande ou avance. Pedida sua cassação no Conselho de Ética, se esperava que no mínimo em 30 ou 40 dias estivesse tudo acabado. Já se passaram mais de 6 meses e ele continua intocável. 

Nesse meio tempo, por unanimidade, foi considerado réu pelo Supremo. Não pode fazer nada, mas se concentra em fugir do Conselho de Ética. Anteontem, foram arroladas 8 testemunhas de acusação contra ele. O Presidente da Câmara questionou, contestou: "Não podem depor contra mim, fizeram delação na Lava-Jato".

O relator do Conselho foi ao Ministro Teori Zavascki saber se ele estava com a razão. Resposta: "Podem ouvir á vontade, lhe dou autorização por escrito". Derrota do corrupto que continua garantindo: "Antes do fim do ano esse processo não chegará a qualquer conclusão".

Impeachment: votos fraudados mas desfraldados

Não conheço ninguém, mas ninguém mesmo que possa adiantar qual- quer numero final para a votação do impeachment. As movimentações são horárias até minutarias. Os dois lados trabalham intensamente e com os mesmos métodos. Só que as ações do governo, são reveladas imediatamente. As da suposta oposição, perdão, do cada vez mais desmoralizado e ultrapassado Temer, de bastidores e quase escondidas. O governo oferece cargos. A oposição utiliza intimidação contra quem apoiar o governo. 

E não ficam apenas no parlamentar, ameaçam suas famílias. Dizem: "Vou desmoralizá-lo, e até seus parentes. Publicaremos seus telefones e outras formas de comunicação, não terão mais sossego". O medo é implantado de forma sórdida. Mas não conseguem resultado que possa ser considerado garantido. Anteontem e ontem, da suposta oposição, os cálculos chegavam a 400 votos.


A mesma coisa acontecia com os governistas. O entusiasmo provocava a mesma inconstância. Sem perceberem garantiam 200 apoiadores. Somando, 600 no plenário, no dia ou nos dias de votação.Tinham medo da abstenção, superam os 513 que devem votar.

Longe da Lava-Jato, mas pertíssimo da corrupção

O senador Ferraço, Espírito Santo, fez ontem gravíssima acusação. O Fundo Postalis, que cuida da previdência de mais de 100 mil funcionários dos Correios, fez um"investimento" escabroso, assombroso e criminoso, na divida publica da Venezuela.Resultado:um prejuízo de mais de 6 bilhões, a serem pagos pelos trabalhadores. Nos próximos 15 anos, receberão 24 por cento a menos nas suas aposentadorias. O presidente desse Fundo e seus diretores,devem ser os únicos a não saberem que a Venezuela está praticamente falida. Não acontecerá nada?

Comissão do impeachment, o cansativo discurso do obvio

O deputado Jovair Arantes, relator escolhido pelo deputado Eduardo Cunha, (não houve eleição, ninguém protestou) cumpriu a missão: e obrigação: decidiu pela aceitação da denuncia. Era o que todos esperavam, nenhuma surpresa ou decepção. Mas não precisava exercer a tortura verbal contra todos que estavam, em casa, assistindo pela televisão. E gastar intermináveis horas, lendo aquelas centenas de paginas,que recebera quase em cima da hora.Agradeceu o "brilhantismo da minha equipe", justíssimo. A Comissão encerrou os trabalhos na terça, não poderia redigir e ler tudo na quarta.

Durante os trabalhos, declarou varias vezes: "Nada do que for dito aqui me impressionará ou me influenciará". E citou os que fizeram a acusação e a defesa, juristas, economistas, advogados. Mas assumiu integralmente, as considerações ideológicas dos juristas acusadores. Essa Comissão não tem a menor importância, nem mesmo numericamente. A votação acontecerá segunda feira. Trabalharão sábado e domingo, conforme determinação do Presidente da Câmara. Ai então, mais uma semana e a votação no plenário, para valer.

PS- De hoje, quinta, até, provavelmente o dia 18, a decisão do plenário, não será discutida a céu aberto, e sim nos subterrâneos ou porões da politicalha marginalizada. Mas qualquer que seja o resultado, contra ou a favor do impeachment, não será a ultima palavra. O Brasil acordou para o nem Dilma nem Temer, acredita na importância histórica do TSE.