9.4.16

OFFSHORE DA MACONHA

ANDRÉ BARROS -

Panama Papers, Offshore, vazamento de documentos e entre toda essa podridão está a maconha. Entenda a relação da luta pela legalização da planta da paz contra toda essa corrupção no texto do advogado e ativista André Barros.


O capitalismo é um sistema internacional de ladrões. Ninguém fica milionário trabalhando. A ilegalidade é um mercado como qualquer outro no capitalismo. Recursos públicos desviados, que deveriam ser aplicados em saneamento básico, saúde e educação, vão parar em paraísos fiscais. Milionários brasileiros aplicam os recursos dos assaltos praticados aqui, no ainda chamado terceiro mundo, em bancos na Suíça, Inglaterra e Estados Unidos da América do Norte, o dito primeiro mundo, um verdadeiro sistema internacional de assaltantes. E agora, seus vendidos meios de comunicação fingem estar escandalizados com as empresas offshore e correm com sua cretina defesa jurídica de que não são ilegais. Mas não conseguem esconder as evidências de que esses fundos internacionais são formados por evasão de recursos públicos, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas, dentre outros crimes de ricos.

O vazamento de documentos dos Panama Papers revela que essa picaretagem internacional é usufruída por poderosos de todo o mundo. No Brasil, nada menos que Eduardo Cunha possui esses papéis, além de donos de empreiteiras. Mas o vazamento é internacional e atinge poderosas personalidades de 76 países, como: o presidente Russo Vladimir Putin, o presidente da Argentina Maurício Macri, além dos presidentes da Ucrânia e dos Emirados Árabes Unidos.

No meio de toda essa podridão, está a exploração da nossa planta da paz. Muitos pensam que a maconha não gera tanto lucro. Mas o que estamos vendo, com todo o processo de legalização nos Estados Unidos da América do Norte e no Uruguai, é que se trata de um mercado de bilhões de dólares em toneladas de maconha. A luta pela legalização da maconha é contra a corrupção gerada pela ilegalidade, que fomenta toda essa violência racista em que vivemos.

A nossa luta também é anticapitalista, pois a maconha plantada na sua própria casa e consumida pelo seu produtor sequer entra no mercado. A planta é comum, não pode ser apropriada pelo Estado nem pelo mercado, ela é de todas e de todos.

Enquanto sacos de dinheiro descem dos morros do Rio de Janeiro para serem lavados em paraísos fiscais, jovens, negros e pobres são assassinados nessa farsa chamada guerra às drogas. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, Marcelo Chalreo, declarou que, por baixo, são mais de trinta mortos desde a Sexta-feira Santa, sendo duas crianças, do Leme a Magé, passando por Madureira, Acari e São Gonçalo.

A luta pela legalização da maconha é contra o racismo e pela legalização das Bocas de Fumo. Todas e todos à Marcha da Maconha no dia 7 de maio de 2016, às 4:20 da tarde, em Ipanema, no Jardim de Alá.