14.4.16

OS RESPONSÁVEIS SOMOS NÓS

CARLOS CHAGAS -


Entre a presidente Dilma Rousseff e o vice-Presidente Michel Temer, a saída é dar um pelo outro e não querer volta. Estamos a quatro dias da primeira decisão da Câmara dos Deputados, sobre aprovar ou não o impeachment de Madame. Até reviravolta inusitada, são 304 deputados a favor da defenestração, 110 contra e 99 em cima do muro. Ainda não dá para mudanças, senão a de faltar vergonha em todos os quadrantes.

Mantidos esses números, tudo pode acontecer nos próximos quatro dias. Porque para aprovar a proposta, serão necessários, no mínimo, 342 votos. O governo fará tudo para não deixar a bancada oposicionista chegar a esse número, coisa que encerraria a tertúlia, apesar de deixar o Congresso em frangalhos. Não haveria mais como deputados e senadores se entenderem, os partidos se reduziriam a trapos sem forma nem cor, mas a presidente da República manteria seu mandato.

Vamos à hipótese oposta, com os adversários do atual governo chegando a 343 ou mais. Dilma estaria afastada do poder por 180 dias, até que o Senado desse a palavra final, afastando-a para o esquecimento, com Michel Temer assumindo seu mandato. Ou com os senadores sustentando por maioria a presidente, deixando-a no palácio do Planalto.

Semanas passarão até qualquer das soluções definitivas, mas todas cheirando mal. Porque com Dilma ou com Temer, o país não será mais o mesmo. Terá se transformado numa massa insossa e inodora, se é que nos últimos meses terá sido alguma coisa.

Em suma, raras vezes o Brasil atravessou momentos, horas ou dias de tanta angústia. Se não forem meses. Adianta muito pouco encontrar responsáveis, porque somos todos nós.