17.4.16

OS TRAIDORES DE JANGO SE ASSEMELHAM 52 ANOS DEPOIS

Por JOÃO VICENTE GOULART -


Não gosto muito de falar em ratos abandonando o porão, como no caso hoje, de parlamentares essencialmente comprometidos com a ruptura institucional, em sua grande maioria manchados pela sua inclusão na lista da Odebrecht e que insistem em “moralizar” o país, antes de moralizarem suas biografias.

Vem-me sempre à luz o semblante de meu pai nas longas conversas do exílio. Lembro-me, perfeitamente dos momentos de solidão a beira da lareira da fazenda “El Milagro”, em Maldonado, Uruguay, onde durante horas e horas ele fazia exercício de memória dos traidores da democracia, que haviam abandonado não a ele, mas abandonado um projeto de Nação, o das “Reformas de Base” em 1964 e mergulhado o país em 21 anos de ditadura.

Na época, ele, meu pai, o deposto presidente João Goulart, tildado no Brasil como comunista, corrupto, incompetente, incendiário e pró república sindicalista, vivia amargamente seu exílio, mas com absoluta certeza que a história o anistiaria. Não seriam os homens, nem seus carrascos, nem seus detratores e nem sequer a prepotência dos ditadores do povo brasileiro que lhe colocariam na história. Seria o tempo.

A história é implacável com seus traidores.

Quando lembrava sua chegada ao Uruguay no dia 4 de abril, sempre fazia questão de afirmar, que tinha ficado em território brasileiro, mesmo escondido para não ser preso, até que o Congresso Nacional, depois da vergonhosa cessão da vacância presidencial que legitimou o Golpe de Estado, empossara Mazzilli, e, desta forma ele Jango, conseguiria configurar aquele ato do Congresso como Golpe.

Tinha sido traído por um Congresso, eleito em 1962, sob financiamento do IBADE (leia-se dinheiro de verba secreta da CIA) onde uma CPI, inclusive presidida por Ulisses Guimarães e o grande Rubens Paiva, até hoje sem a Nação saber onde estão seus restos mortais, foi instalada em 1963 e detectado 172 parlamentares financiados com aqueles fundos.

Parece até cabalístico, mas 172 é o número hoje para salvar a democracia brasileira. Mas as semelhanças não param por aí. A FIESP, colaborou com o golpe de 1964, colabora hoje com esta vergonha de “impeachment” travestido de golpe. Segue derramando dinheiro entre os vendedores da Pátria.

A mídia, capitaneada pela Globo, que até pouco tempo atrás pediu desculpas pelo apoio ao golpe de 1964, hoje continua descaradamente a manipular a opinião pública no mesmo sentido, como fez contra o governo Goulart.

Jango hoje, apesar de seus detratores, já ocupa um lugar na história do Brasil, tornou-se o único presidente constitucional de nosso país a morrer no exílio lutando pela liberdade e pela democracia.

Quem se lembra dos traidores do Congresso  de outrora?

A não ser do único nome que declarara vaga a presidência com o chefe da Nação dentro do território nacional?

O traidor Áureo Moura de Andrade.

Haverá sim na história, um lugar seguro para os traidores de hoje, todos eles, capitaneados pelo novo e "corrupto-mor" da nação brasileira, Eduardo Cunha e seus asseclas liderados por ele.

O Brasil não merece tal desígnio. Haveremos de resistir.

Em nome da Liberdade, em nome da legalidade, em nome da Democracia: vamos resistir.

Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça!

*João Vicente Goulart, Diretor IPG- Instituto João Goulart.