4.4.16

SEMANA DECISIVA EM BRASÍLIA

ALCYR CAVALCANTI -


A semana que se inicia entra em uma fase decisiva, tanto para o governo quanto para a oposição. A Comissão Especial da Câmara pretende fazer reuniões desde às três horas da madrugada, fato inédito, mas que não causa estranheza, os deputados têm comparecido às sessões em dias de tradicional gazeta, na segunda feira. A ordem é acelerar os trabalhos, no fundo para se livrar de uma "batata quente" que incomoda a tudo e a todos, o impedimento da presidente Dilma Roussef. Manifestações a favor e contra a saída de Dilma estão sendo feitas em todos os estados e o país vive dias conturbados em grupos pró e contra o governo, em algumas situações tem havido cenas de violência, o que é lamentável porque todos saem derrotados. O ex-presidente Lula fez duras acusações a Michel Temer sobre o pedido de impeachment e afirmou que ele como professor de direito deveria saber que o que está sendo preparado é um golpe, por rasgar a Constituição.

O desembarque do maior partido, o PMDB da base aliada foi um fator de desequilíbrio para o governo, que tenta recompor sua base de sustentação para ter votos suficientes na votação que se aproxima no Congresso Nacional. Para compensar reuniões sucessivas, principalmente com a orientação do ex-presidente Lula, um hábil articulador, tenta convencer deputados a ficar e votar com o governo e sepultar o pedido de impedimento.

Cargos são oferecidos  e alguns preenchidos em todos os escalões na esperança de solucionar o impasse. A presidente Dilma Roussef e o ex-presidente Lula, que tem atuado como um ministro sem pasta tem apelado para sindicatos e movimentos sociais para pressionar deputados que não decidiram ainda de que lado ficar em uma disputa acirrada que mais parece uma "guerra" entre torcidas, uma espécie de Fla-Flu que tem dividido o país.  Na segunda feira o ex-ministro José Eduardo Cardozo advogado geral da União vai fazer a defesa da presidente junto à Comissão Especial para tentar anular o pedido de impeachment.