17.4.16

TRISTE HISTÓRIA DA PRESIDÊNCIA DO BRASIL

ANDRÉ BARROS -


Getúlio Vargas se matou, Jânio Quadros renunciou, Jango saiu do país e ficamos 25 anos sem eleger um Presidente da República. Agora, podemos ter a primeira mulher eleita Presidente destituída por uma Câmara presidida por alguém com milionárias contas no exterior e fortíssimas provas de corrupção. O processo de impeachment é comandado pelo presidente da Câmara dos Deputados, que poderia apenas não despachar a denúncia, como sempre aconteceu em dezenas de casos anteriores com outros presidentes do Brasil. O comandante do golpe é, sem dúvida nenhuma, Eduardo Cunha.

Vivemos num país presidencialista e continental, que vem buscando estabilizar sua democracia. A destituição de uma Presidente da República não interessa sequer aos capitalistas brasileiros. Teoricamente, investidores preferem fechar contratos num país democraticamente estabilizado. O impeachment interessa mesmo aos países imperialistas, que vão continuar tratando o Brasil como uma republiqueta que sequer respeita a democracia e a instituição da Presidência da República.

A destituição de Dilma também é uma tragédia para a América Latina e uma demonstração de que ainda somos um quintal do Imperialismo Norte-Americano. Toda esta tragédia anunciada faz lembrar Pablo Neruda que dizia que vivemos na desordem de nações não construídas.

Vamos às ruas barrar o golpe pelo bem do Brasil.

*Advogado, mestre em ciências penais, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ e membro da Comissão de Direito Penal do Instituto dos Advogados Brasileiro.