17.5.16

A CÂMARA ESTÁ DEVENDO UM PEDIDO FORMAL DE DESCULPAS PARA O ELEITOR. NO AFÃ DO IMPEACHMENT, DEPUTADOS PROMOVERAM UM ESPETÁCULO MEDÍOCRE. NO SENADO MENOS ACINTOSO

ROBERTO MONTEIRO PINHO -

Um leitor da coluna me fez a seguinte pergunta: “Será que o brasileiro não sabe escolher candidatos?” Aquela votação do impeachment dia 17 de abril, mostrou uma Câmara abaixo da critica. Os deputados federais protagonizaram os mais ridículos e medíocres pronunciamentos de voto. Valeu tudo, votaram pela família, “pela paz do senhor”, “pelo cristianismo”.

Na última eleição os anarquistas pregaram o voto branco ou nulo nas eleições. Mas pergunto estariam se dirigindo a que classe de eleitor: o analfabeto? O bolsa - família? O displicente? E até mesmo aqueles que votam, porque o voto é obrigatório?

Por sua vez, não menos medíocre, os pronunciamento da presidente Dilma Rousseff, um vozeirão de comandanta tupiniquim, sem nexo, sem apelo e falando para o seu próprio público, os membros do judiciário, a CUT, os Sem Terra, que juntos ainda garantem a ela 20% de aprovação do seu governo.

Por sua vez a Câmara está devendo um pedido formal de desculpas para o eleitor. No afã do impeachment, deputados promoveram um espetáculo medíocre.

Boquinhas a parte, o grupo que está abocanhando um contra cheque proveniente dos cargos indicados pelo PT e aliados, muitos, no silêncio de sua ingratidão, não deram as mãos a presidente, ao contrário fizeram coro com os algozes do seu governo.

Ainda sobre a pergunta, vamos analisar uma pesquisa detalhada do que foi a última eleição (dados oficiais do TSE).

Um levantamento realizado pelo Datafolha em novembro do ano passado mostrou que 53% dos entrevistados consideravam o Congresso Nacional ruim ou péssimo e 34% julgavam o Legislativo regular. Apenas 8% afirmaram que o desempenho dos deputados e senadores poderia ser classificado como bom ou ótimo.

Em números de cada 100 eleitores, 19 não votaram, 12 votaram branco ou não, 6 votaram na legenda, 22 votaram em candidatos eleitos, mas que não atingiram o quociente eleitoral. Em suma, os parlamentares eleitos não representam a maioria da população: três quintos dos eleitores não tiveram nenhuma responsabilidade pelo show de horrores que se viu na votação do impeachment. Você estaria entre eles?

Os que chegaram à Câmara tiveram o apoio de apenas 41% dos eleitores registrados. Dos 513 titulares, somente 36 conseguiram se eleger com seus próprios votos: os demais não alcançaram o mínimo necessário, mas acabaram sendo beneficiados pelos sufrágios dados aos seus companheiros de coalizão e aos votos de legenda.

Começamos analisando outra faceta da eleição no Brasil. O horário gratuito, essa deformação, controlada por donos de partido, que se constituem num dos maiores estelionatos praticados numa eleição, eis que somente os figurões e os que compram este espaço obtêm os valiosos minutos para apenas dizer as mesmas idiotices que ouvimos no dia impeachment na Câmara.

Aqui os candidatos mais humildes e sem sintonia com a cúpula partidária, garimpam votos em suas bases, e dão aos estelionatários eleitorais a legenda para que se elejam, e para depois proporcionarem o dantesco espetáculo que assistimos atônitos. Quem duvidar do que informei, aguardem a próxima eleição e confiram.

Esses candidatos foram escolhidos graças à sua presença na mídia. Um exemplo: se todos os candidatos dispõem apenas de poucos segundos na TV, por que alguns são eleitos porque disputam com um tempo maior e outros não?

Uma primeira possibilidade seria substituir o voto nos candidatos (voto uninominal) pelo voto nos partidos (voto em lista), muito usado nos países que adotam a representação proporcional. Com isso, o eleitor só precisaria escolher um partido, o que facilitaria não somente uma maior identificação com uma corrente política, mas também uma maior fiscalização sobre seu desempenho no Congresso. Mas também não impediria que a cúpula beneficiasse somente seus protegidos.

Até aqui falamos do sistema eleitoral vigente. Onde Dilma Rousseff nunca fez parte. Ela se elegeu sem antes nunca ter disputado uma eleição. Lula por sua vez disputou, e para presidente foram quatro eleições até se eleger.

Na minha opinião, Lula da Silva em seu pior abismo de insanidade, errou, o PT idem e os aliados não tinham outra alternativa, tamanho o comprometimento nos escândalos da Lava jato e Petro, que eclodiram justamente no segundo mandato de Dilma. Fim da linha para o plano petista do “projeto de poder. Hoje 117 mil filhotes do PT, Lula-lá estão desempregados.