24.5.16

A TRANSIÇÃO DO NADA PARA COISA NENHUMA

CARLOS CHAGAS -


Pior não poderia ficar, a partir de ontem. Claro que amanhã é outro dia, com tudo para aumentar a profundidade do buraco em que mergulhou o governo Temer. Até chegar ao Congresso acompanhado de Romero Jucá o novo presidente não conseguiu evitar, ontem. A hora é de abrir o centro cirúrgico e afiar os bisturís. Não dá para manter o atual ministro do Planejamento, exposto no rumo da cadafalso. Se não renunciar, será renunciado. A revelação dos diálogos dele com Sérgio Machado, pelas páginas da Folha de S.Paulo, pode não comprometer por inteiro o ministério Temer, mas é quase isso. Como recuperar a economia, ou melhor, preparar e empreender um plano de estabilização nacional, se o ministro do Planejamento não planeja, mas apenas expõe suas qualidades de bandido?

O atual governo não inspira confiança, mesmo reconhecidos os méritos de Henrique Meirelles, José Serra, Raul Jungmann e mais uns poucos. Aguarda-se um pacote de contenção, mas como anunciá-lo se vier amarrado com o barbante da corrupção?

Ficou óbvia a estratégia que Romero Jucá tramava para neutralizar a Operação Lava Jato e salvar parte da quadrilha com a qual pretendia conduzir o governo Temer. Quebrou a cara, fazendo aumentar os ímpetos revanchistas do PT e adjacências. Dilma Rousseff, mesmo carta fora do baralho, imagina tirar um proveito impossível dessa nova tertúlia, capaz de conturbar a transição do nada para coisa nenhuma.