11.5.16

AJUSTE NEOLIBERAL PARA A EDUCAÇÃO CHEGA NA PETROBRÁS

Via FUP -

Empresa petroleira anuncia que irá implantar cursos como o NR-20 à distância. Trabalhadores terão que estudar durante o horário trabalho.


Durante reunião com a Federação Nacional dos Petroleiros, o RH e o setor de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) tornaram público a elaboração do curso NR-20 à distância, uma parceria entre a Petrobrás e o Ministério do Trabalho. Inicialmente o projeto vai ser implementado apenas na Petrobrás e na Transpetro.  Mas, a iniciativa tem como objetivo replicar o projeto piloto, futuramente, em outras empresas.

Dividido, em 12 módulos, o trabalhador fará as aulas em meio ao horário de trabalho, num ambiente virtual. Somente as provas deverão ser presenciais. O conteúdo pedagógico é composto por vídeos, apostilas e exercícios. Para o RH, o grande desafio será treinar os gerentes para garantir a implantação do projeto.

O que o RH está chamando de inovador, Rodrigo Lamosa, professor da UFRRJ e especialista em educação, vê com preocupação. Em sua tese de doutorado, Lamosa alerta que a educação está sendo usada como uma ferramenta fundamental para a elaboração e execução de um dos projetos de poder dos setores conservadores do Brasil, a favor de uma pauta empresarial.

Segundo Lamosa, em entrevista para a revista ‘Caros Amigos’, o que está por traz desses tipos de cursos é a pressão do Sistema S – nome pelo qual ficou convencionado de se chamar ao conjunto de nove instituições de interesse de categorias profissionais, estabelecidas pela Constituição brasileira: SENAR, SENAC, SESC, SESCOOP, SENAI, SESI, SEST, SENAT e SEBRAE -, e dos setores ligados ao Sistema S. Em outras palavras, Lamosa critica a formação barata, modular e subsidiada pelo governo e pelo interesse empresarial, quem vem acontecendo com frequência.

A FNP também vê com inquietação a iniciativa por entender que um curso a distância não vai trazer conhecimento suficiente para evitar acidentes de trabalho. Além disso, para ela, o trabalhador tem que estar descansado para poder assimilar qualquer conhecimento, qualquer ensinamento, principalmente no que diz respeito à segurança dos trabalhadores.

E alerta que a indústria do petróleo não é igual as demais, por isso é importante que a empresa entenda que esses cursos virtuais podem servir para outros ramos, na indústria de petróleo, principalmente na área operacional e de manutenção, não é bom. Apesar disso, a FNP vai indicar dois trabalhadores para acompanhar o projeto piloto, que deve durar seis meses.

O curso será obrigatório. As inscrições serão indicadas pelo gerente. Depois, o trabalhador receberá por email a informação de que ele está inscrito na turma. O projeto também será acompanhado por membros da FUP e da CUT.

*Federação Nacional dos Petroleiros - FNP.