24.5.16

DUAS DUVIDAS ATÉ AGORA. 1 - DE ONDE SURGIU ESSA GRAVAÇÃO, QUASE 4 MESES DEPOIS. 2 - TEMER SE DESGASTA DEMITINDO JUCÁ? E O POVO ENTENDERÁ O LICENCIAMENTO?

HELIO FERNANDES -

Durante toda a tarde de segunda feira, o clima no governo foi principalmente de perplexidade. Depois vieram o desconforto, as duvidas e a reflexão sobre as consequencias. Jucá ficar ou não ficar, não era avaliado sobre qualquer critério em que se usasse a palavra credibilidade. A tentativa de esclarecimento se chocava sempre com a pergunta que ninguém respondia.

O que é pior para o governo: manter ou não manter o Ministro, provavelmente o mais prestigiado no cenário político. No sábado, Temer chamou Meirelles a SP para conversar. Mas chamou também o Ministro Jucá. Isso prova a sua importância e força no governo.

Temer combinou com auxiliares mais próximos, que sairia do Planalto ás 4 horas. pois estava com hora marcada no Senado. Iria entregar como entregou o relatório com as medidas que precisarão ser votadas hoje,terça. Ficou pouco tempo. Exatamente ás 16,40, todas as televisões deram de frente, praticamente posada, imagem com Temer entre Renan e Romero Jucá. Num momento, Jucá falou qualquer coisa no ouvido do presidente em exercício, que deu um sorriso. Havia muita gente  em volta, confusão geral.

Não muito mais tarde,um senador me contou:"Helio, naquele instante,Jucá dizia ao Presidente:vou ficar aqui no Senado.Reassumo o mandato,e já amanhã começo a trabalhar para aprovar rapidamente tudo o que o governo precisa com urgência".Era algo surpreendente,complicado, quase inexplicável.

Ele estava renunciando? Como é que poderia reassumir no Senado, o que agradava ao governo. Mas e o cargo no ministério? Era ou parecia tão incompreensível, que rádios, televisões e sites, noticiaram com estardalhaço, "o ministro renunciou".  Menos de 10 minutos depois, retificaram: "o ministro do Planejamento se licenciou".

Tudo é tão esdrúxulo, estranho e extravagante que foi difícil de entender. Para explicar de forma clara,e para que todos entendam,recuemos no tempo, voltemos para o Jaburu entre 2 e 4 horas,antes de Temer ir para o Senado. Havia enorme ansiedade para encontrar uma decisão que agradasse a todos.

Traduzindo: ninguém tinha confiança em Jucá. Se fosse demitido drasticamente, voltaria ao senado, seu mandato vai até 2018. Romperia com o governo, poderia influir  e influenciar o julgamento do afastamento de Dona Dilma. Não existe grande folga na votação, perderiam o voto dele, e não seria difícil conseguir mais 2 ou 3. Poderiam estar perdendo o poder, mesmo interino ou provisório.

Alguém lembrou um outro problema grave,não fora nem comentado.Romero Jucá é presidente do PMDB,fora eleito e empossado com estardalhaço.Se fosse demitido do ministério, iria para o senado,continuaria presidindo o partido.

Alguém falou, "demitido do ministério, podemos afastá-lo também da presidência do PMDB". Silencio completo, sabiam que no PMDB, é impossível examinar o que é realidade ou divagação. E se não conseguissem numero para retira-lo?

Surpreendentemente, a solução (?) foi sugerida pelo próprio Jucá. Saindo do Senado, o Ministro falou para o presidente: "Quero ir no carro com o senhor, só 5 minutos". Temer concordou Jucá mandou o carro segui-lo e logo  entrou no assunto."presidente, não cometi crime algum, não posso ser condenado sem defesa.

Peço licença do Ministério, reassumo no Senado, onde sou mais importante.  Entro com um recurso na Procuradoria da Republica para saber se sou culpado. “Se responder efetivamente, o senhor me demite. Inocente, reassumo".

Temer concordou imediatamente, apertaram as mãos, Jucá desceu, tomou seu carro, voltou para o Senado. Às 6 horas em ponto,deu entrevista coletiva (só ele falou) e durante 20 minutos explicou tudo o que acontecera.

Repetiu o que dissera ao meio dia, incluindo afirmações como esta: "Só penso no interesse nacional, jamais coloquei qualquer problema ou reivindicação pessoal, acima da sagrada obrigação da coletividade e do país". E acreditar que ainda existe gente que acredita nisso. Do Senado foi para o ministério, despachou muita coisa. Mais tarde passou o cargo ao Secretario Executivo.

Temer chegou ao Jaburu, tão sorridente, que o silencio foi obrigatório. Sentou, explicou com tanta naturalidade, que ninguém perguntou ou refutou coisa alguma. E dentro da realidade nacional, um episódio perfeitamente aceitável apesar de incompreensível.

Quem pode punir alguém por combater a Lava - Jato, propor um "pacto" para derrubar um governo, e afirmar, inocentemente, "me relaciono com muitos Ministros do Supremo. Estão obrigados a devolver o mandato do senador Delcídio.

PS-Quando se soube que a gravação foi feita pelo ex-senador Sergio Machado, muitos se lembraram: "Ele esteve lá em casa, conversamos longamente. E naturalmente sobre Lava-Jato, nem lembro o que disse.

PS2- Ao saberem que o ex-presidente da Transpetro está fazendo delação premiada e que já entregou muitas gravações á Procuradoria, o pânico foi geral.

PS3-O único que se divertia era o senador Jereissati. Eram 3 cearenses, mocissimos e grandes amigos,que montaram um plano. Os 3 seriam governadores e senadores. O primeiro Ciro Gomes, governador mais jovem do estado. Depois, Jereissati, a mesma coisa. Chegada a vez de Sergio Machado enganado miseravelmente por Jereissati.

PS4-Sergio nem conseguiu vaga para disputar o governo. Mais tarde se elegeu senador, não conseguiu se reeleger. Foi para a Transpetro. Ficaram inimigos para sempre. Jereissati sabe que está imune e inatingível. Pela inimizade.