10.5.16

LAVA-JATO DÁ AS PINCELADAS FINAIS DO GOLPE

Por MIGUEL DO ROSÁRIO - Via O Cafezinho -

Eu nem me irrito mais.

Agora eu fico com pena dos caciques do PT quando, em discursos contra o golpe, dizem que a oposição quer "fechar a Lava Jato".

Certamente, o fazem porque viram pesquisas mostrando o forte apoio da população à operação.

E agindo assim, enfiam a corda no próprio pescoço, porque a Lava Jato se desvirtuou há tempos. Seu objetivo agora é prender Lula, destruir o PT, derrubar o governo e chantagear o setor nacionalista do empresariado: obedeçam às orientações da Globo, fiquem contra o PT e contra a esquerda, porque o país pertence à elite financeira, não a um punhado de sindicalistas ou militantes de movimentos sociais!

Ao invés de olharem para frente, onde há um abismo, o PT e o governo caminham com olhos voltados para o alto, para "pesquisas de opinião".

A política é, por natureza, uma fórmula de transformação.

Não são as pesquisas que fazem a política. É a política que transforma as pesquisas.

A mídia sabe disso, e traça estratégias, inclusive de longo prazo, para causar mudanças na opinião pública.

PT e governo parecem ter esquecido, há muito tempo, o que é política.

A Lava Jato tem obedecido, com fidelidade canina e pontualidade britânica, a uma agenda estritamente político-partidária.

Neste final de semana, a operação dá as pinceladas finais no golpe de Estado.

Segundo o noticiário, Marcelo Odebrecht iniciou negociações para sua delação.

É tudo orquestrado, não há mais nenhum disfarce.

Mal começou a negociar delação, e o conteúdo já foi seletiva e oportunamente vazado aos diários oficiais do golpe, de maneira a subsidiar o Fantástico, os noticiários de domingo e abrir uma semana decisiva com novo foco de pressão sobre os senadores.

Marcelo Odebrecht, aparentemente, jogou a toalha.

Os desdobramentos da crise, a omissão do STF, possivelmente o convenceram de que não há mais esperança de encontrar brechas de imparcialidade no judiciário brasileiro: então ele decidiu entrar no jogo sujo do golpe.

É isso, ou então os procuradores começaram a vazar conversas com ele de maneira ilegal, distorcendo suas declarações. Não me surpreenderia. Desses procuradores e da nossa mídia, espere-se qualquer coisa.

O caso de Mônica Santana é igual.

Aliás, quando João Santana e sua esposa foram presos, não foi difícil para analistas perceberem que, senão soltasse o casal em alguns dias, Sergio Moro estaria deixando bem claro que o objetivo era focar a Lava Jato na campanha de Dilma, com objetivo de derrubar o governo. E assim foi.

João Santana foi levado para a masmorra perpétua de Sergio Moro, onde o sujeito apenas é solto após entrar no jogo de cartas marcadas da "força-tarefa".

As prisões de Moro, reitere-se, não tem limite de tempo, até porque não há mais habeas corpus no país. O país vive em Estado de Exceção.

Moro vai prorrogando as prisões preventivas indefinidamente, até amarrá-las numa condenação medieval, de 15 a 20 anos, enquanto os procuradores iniciam um pesadíssimo jogo de pressão, o qual, no caso da Odebrecht, incluiu ameaças a todos os agregados da empresa, além da destruição de um patrimônio gigantesco, espalhado pelo mundo inteiro.

Não me parece coincidência que, simultaneamente, uma nova campanha de publicidade da Odebrecht tenha voltado a aparecer na Globo: a empresa se rendeu a quem manda hoje no Brasil, o monopólio mafioso coordenado pela família Marinho.