19.5.16

O CAMINHO

MIRANDA SÁ -

“Não caminhe atrás de mim, posso não te guiar. Não ande a minha frente, posso não seguir-te. Simplesmente caminhe ao meu lado e seja meu amigo”. (Albert Camus)

Quando adolescente, eu acompanhava meu pai nas suas peregrinações pelas livrarias e sebos do centro do Rio. Leitor compulsivo, ele frequentava a Coelho Branco e a Vitória na Rua do Carmo, aonde batia papo com a sua turma ao sair do trabalho na Praça XV.

Certa vez fui com ele à Livraria Vitória onde podíamos folhear livros e lá encontrei um que me atraiu, foi “O Caminho”, do escritor alagoano Otávio Brandão.

Empolguei-me com a leitura e depois conheci a vida do escritor, autor de diversas obras, sendo uma digna de leitura como pesquisa, “Canais e Lagoas”; e foi precursor do recifense “Mangue Beat”, com seu “Manifesto Sururu”.

Só que em vez de se encaminhar para a contracultura e misturar música importada com ritmos regionais, ele importou o Manifesto Comunista, sendo o seu primeiro tradutor no Brasil.

Otávio Brandão teve uma vida política agitada, aderindo na juventude ao anarquismo – que costumava dizer não ser o de Proudhon, mas o de Bakunin. Mais tarde ingressou no Partido Comunista onde sofreu perseguições, como muitos intelectuais de sua época, por manter ideias próprias sobre a realidade.

Sob o stalinismo dominante no movimento comunista internacional, foi acusado na “secção brasileira” de ter ideias “puramente anarquistas” e mais tarde com as pechas de “trotskista e agente do imperialismo”. Embora mantendo os ideais socialistas abandonou o partido antes que o expulsassem.

No seu romance “O Caminho” (que está difícil de encontrar referências até no Google) traz observações sobre o futuro; de formação esquerdista, Brandão tente para as ideias de Plínio Salgado, intelectual de direita, participante da Semana de Arte Moderna que escreveu “O Esperado”, e “Ritmo da História”. Também no “Manifesto Sururu” o “anarquista” se encontra com o “integralista” no seu “Discurso às Pedras do Deserto”.

Constatamos que a busca do caminho para a salvação e a felicidade é uma preocupação de todos os pensantes, sejam de esquerda ou de direita. Porém o caminho da normalidade está da máxima aristotélica “A virtude está no meio”. O povo no seu folclore em os ditados – “Nem tanto ao mar, nem tanto à terra” e “Nem oito, nem oitenta”.

Botando os pés na terra, os brasileiros estamos numa encruzilhada e devemos escolher o caminho a seguir; queremos uma opção não extremista para fugir do passado recente, com o domínio hegemônico de um partido que, no poder, resultou num governo desastrado, incompetente e corrupto.

Precisamos voltar aos princípios do humanismo, por uma administração pública que priorize uma Educação de qualidade com escolas de tempo integral para os jovens e valorizando os serviços públicos de assistência médica para o povo.

Para isto, as reformas são necessárias e urgentes; e exigem que o Governo Temer não faça concessões aos inimigos do Brasil, passando, como se diz, um pente fino nas medidas desagregadoras da nacionalidade, fazendo uma faxina na administração federal.

O novo governo deve acabar com o financiamento de grupos de pressão e os cargos comissionados de não-concursados em todos os setores, ministérios, bancos e empresas estatais. A palavra de ordem é “Desaparelhar o poder público”.

Para aprovação dos reajustes na Economia, exija do Congresso o apoio indispensável; e quanto à corrupção institucionalizada pelo lulo-petismo, que se dê força e condições à Polícia Federal, Ministério Público e Poder Judiciário.

O Governo de Salvação Nacional reclama a formação de uma Frente Ampla para atuar politicamente de acordo com a Constituição e sob o lema Ordem e Progresso. Vamos caminhar com Buda: “O caminho para a iluminação está no Caminho do Meio”.