26.5.16

TODO PETROLEIRO É SUSPEITO ATÉ QUE SE PROVE O CONTRÁRIO, PARA A DIRETORIA DA PETROBRÁS

EMANUEL CANCELLA -


A Constituição Federal brasileira garante a todos brasileiros a presunção da inocência, cabendo o ônus da prova a quem acusa. Entretanto, para a direção da Petrobrás, todo o petroleiro é suspeito! O Clima dentro da companhia é de terror, eles estão trazendo gente de fora para administrá-la. E, ao que parece, pessoas que têm juízo de valor contra a Petrobrás e os petroleiros. E o pior está ainda para chegar que será o presidente, que indicado por Temer, Pedro Parente, do PSDB, foi o ministro do apagão e integrante do governo de FHC, que fez de tudo para privatizar a Petrobrás.

Na época de FHC, a propaganda pela privatização era comparando a Petrobrás a um “Paquiderme” e chamando os petroleiros de  “Marajás”. Eles estão de volta agora e consideram todos os petroleiros corruptos! Pelo menos quatro petroleiros, demitidos pela direção da empresa no ultimo período, foram reintegrados pelo sindicato do Estado do Rio à Petrobrás. Isso mostra os equívocos dos administradores da companhia, causando prejuízo financeiro e psicológico aos funcionários e dilapidando o patrimônio público.

Diante do clima de caça às bruxas dentro da companhia, o Sindipetro/RJ e a FNP vão discutir, na próxima semana, quando se reúnem, a responsabilização pessoal dos diretores e gerentes pelos prejuízos causados aos funcionários por conta das punições e demissões, tanto financeiro como de saúde. É muito cômodo para eles punindo erradamente, às vezes por perseguição pessoal ou assédio moral, e a Petrobrás pagando a conta. Assim eles ficam na zona de conforto!

Estamos falando de uma empresa que, além de abastecer o país de derivados de petróleo, ininterruptamente, há mais de 60 anos,  responde por 13% do PIB. E ainda financia, com os impostos que paga, 80% das obras no país que é o 2º canteiro de obras do mundo, só perdendo para a China. Nossa empresa também ganhou pela terceira vez o “Oscar” da indústria do petróleo e o prêmio da OCT e desenvolveu tecnologia inédita no mundo, permitindo a descoberta do pré-sal.

E a Petrobrás é a única empresa que tem uma investigação permanente há mais de um ano e meio, a Lava Jato.

E os sindicatos dos petroleiros, em momento algum, nunca propuseram calar a Operação, como vem a público agora, através de gravações, que o ex-ministro Romeró Jucá, o presidente do senado Renan Calheiro e o próprio presidente interino, Michel temer, querem o fim da lava Jato, para que eles e seus pares fiquem impunes. E fica claro que o impeachment de Dilma, segundo a gravação, foi principalmente porque ela não aceitou interferir na Lava Jato!

Os petroleiros da Petrobrás não temem investigação, muito pelo contrário, sempre denunciaram os desvios de conduta, e fizeram isso muito antes da Lava Jato. Enterros simbólicos, em frente à sede da empresa, de diretores e do alto escalão da companhia. Inclusive com denúncias ao Ministério Público e à Policia Federal, tudo com fotografias e documentos comprobatórios. Ao invés de prêmios, como ganha a Lava Jato, o Sindicato dos petroleiros do Estado do Rio e Caxias foram processados e seus diretores ameaçados de prisão.

Temos críticas a Lava Jato em cima de fatos, como a seletividade, já que não prenderam ninguém do PSDB. E não venham com a ladainha de que vão pegar todos, pois o mensalão, que teve a participação do juiz Sérgio Moro, como assistente da ministra Rosa Weber, não julgou o mensalão tucano, anterior ao do PT, que está prescrevendo sem julgamento! Senadores tucanos, citados em delação na Lava Jato, como Antonio Anastasia, Aluysio Nunes e Aécio Neves, este cinco vezes delatado, estão soltos. Como também o governo de FHC na Petrobrás que foi citado várias vezes na Lava Jato e nada, nem mesmo o próprio FHC reconhecendo em seu livro, Diários da Presidência, que havia corrupção em seu governo na Petrobrás. Nada disso sensibilizou o juiz Moro!

Além dessa proteção a alguns, impossível também acreditar na Justiça de um país onde criminosos como os envolvidos em escândalos muito maiores do que o da Petrobrás, como Zelotes e Swssleaks, corrupção na FIFA, Panamá Papers e desvio da merenda das escolas de São Paulo, não são sequer investigados por nenhuma operação da policia Federal, não se vê nenhuma prisão de diretor e muito menos devolução  do produto da corrupção aos cofres públicos. Então por que ainda querem considerar todo o petroleiro suspeito, depois de todos os serviços prestados à nação e a Petrobrás sendo investigada há mais de ano e meio, com diretores e gerentes presos e o dinheiro roubado voltando aos cofres públicos? Só existe uma explicação para isso, e não é melhorar a gestão!

Querem fazer com a Petrobrás o mesmo que fizeram com a Vale do Rio Doce, a maior mineradora de ferro do mundo, que é desmoralizá-la para vendê-la a preço de banana!

*Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).