26.5.16

TORTURADORES DE MACONHEIR@S

ANDRÉ BARROS -


Um voto assustou o Brasil quando a Câmara dos Deputados admitiu a denúncia por crime de responsabilidade contra a Presidenta da República. Quando votou sim, um deputado homenageou um dos maiores facínoras da ditadura militar: o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, responsável pelo DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informação) do 2º Exército entre 28 de setembro de 1970 e janeiro de 1974, onde 400 pessoas foram barbaramente torturados sob o seu comando. Isso, segundo o que foi catalogado no projeto Brasil Nunca Mais, contudo, sem dúvida o número de camaradas torturados foi maior. Mas só saberemos ao certo quando forem abertos os arquivos da ditadura militar. Muitas pessoas morreram nos porões de Ustra, durante intermináveis sessões de tortura. Os torturadores chamavam esses assassinatos sob tortura de “acidentes de trabalho” e armavam os chamados “teatrinhos” para dizer que as vítimas haviam cometido suicídio ou haviam sido atropeladas. Assim votou o deputado: “Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”.

Ao ouvir essa barbaridade, logo me recordei de minha saudosa tia Verinha, que foi banida do Brasil numa cadeira de rodas, depois de intermináveis sessões no pau-de-arara. Mas lembrei também que ela dizia que a tortura era uma “política de Estado da ditadura militar”. O fato é que essa política de Estado permanece até hoje, onde diariamente milhares de pessoas são torturadas nas penitenciárias brasileiras. Hoje, a maioria é vítima dessa farsa chamada guerra às drogas, que na realidade é uma guerra racista aos pobres.

Lembrei também de uma cena do filme “Tropa de Elite”, em que o protogonista sufoca um jovem com um saco plástico na cabeça – o chamado “submarino” – e grita: “fala maconheiro”, enquanto dispara tapas violentos na sua cara, uma técnica de torturadores para não deixar marcas.

Vieram à cabeça imagens das mulheres que são obrigadas a ficar de cócoras ao visitarem seus filhos na cadeia, sob o argumento de que são revistadas, quando na realidade estão sendo torturadas em doloridas e vexatórias posições. São obrigadas a passar por tal situação porque amam seus filhos, injustamente presos como traficantes de maconha. E também das mulheres presas, porque tentaram levar pequena quantidade de maconha para o relaxamento de seus companheiros presos. Muitas acabam encarceradas e dão à luz a seus filhos algemadas. São obrigadas a amamentar seus pequenos grandes amores entre as grades.

Para finalizar, quero homenagear Ras Geraldinho. Condenado por esse sistema penal punitivo só por amar a mais linda e cheirosa planta, como declarou Pantagruel, personagem de Rabelais, genial autor francês dos séculos XV/XVI. Sua absurda condenação não deixa de ser uma longa tortura: 14 anos de reclusão nessas masmorras brasileiras. Enquanto isso, onde estão os verdadeiros traficantes da meia tonelada de pasta básica de cocaína apreendida num helicóptero de filhos de um Senador da República?

O golpe é dos torturadores!