3.6.16

50 PRESOS NA MARCHA DA MACONHA DE BRASÍLIA

ANDRÉ BARROS -

No ato realizado na capital federal, revistas em todos os presentes, prisões sem motivo aparente e interferência no trabalho da imprensa foram apenas algumas das ações da polícia.


No início da concentração do evento pela legalização da maconha na capital federal do Brasil, 20 pessoas já haviam sido presas, com sedas e flyers da Marcha, num absoluto desrespeito a duas decisões unânimes do Supremo Tribunal Federal. Na mesma Esplanada dos Ministérios, que termina na Praça dos Três Poderes, onde fica o STF, a polícia do Distrito Federal atacou a interpretação do Suprema Corte, que decidiu que ninguém no país pode interpretar que a Marcha da Maconha está fazendo apologia ao crime. Pelo contrário, a Marcha está amparada pelas garantias da livre manifestação do pensamento, da liberdade de consciência e de crença, do direito à convicção filosófica e política, sendo livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, bem como o direito de reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização. Já parece Temer à democracia.

Vivi nove maravilhosos anos em Brasília, de 1996 a 2005. Fui conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Seção do Distrito Federal. Militei na advocacia criminal de Brasília e nas regiões administrativas de Samambaia, Ceilândia, Taguatinga, Brazilândia, Gama e Sobradinho. Crimes violentíssimos ocorrem no Distrito Federal, como em qualquer outra capital brasileira, mas o estupro é um dos maiores dramas. Enquanto isso, a polícia está preocupada com quem fuma maconha, quer regar sua plantinha e só prende pobre como traficante. Não conheço um só rico preso como traficante em Brasília. É a polícia que faz a seleção dos casos que serão julgados pela Justiça. É impossível que os aparelhos policiais apurem os mais de 400 (quatrocentos) crimes existentes em toda nossa legislação. Ela pode priorizar o estupro ou homicídio, mas, como em todas as capitais do Brasil, prefere perseguir apenas consumidores de drogas ilícitas, presos com mínimas quantidades como traficantes.

Mas a hipocrisia é demais. Quando morei em Brasília, fui a muitas das famosíssimas festas na mansão dos Rollemberg, da família do atual governador do DF. Como em qualquer festa da classe média e de ricos em todo o país, rolava de tudo e a maresia era maravilhosa. Agora, como pode, a polícia comandada pelo governador dessas festas sensacionais, prender em torno de 50 pessoas que foram à Marcha da Maconha? Ao final, muitas pessoas foram presas no caminho de casa.

Aliás, tenho um amigo em Brasília, Botafogo como eu e o atual governador que, muito parecido com ele, tem o apelido de Rodrigo rola o beque, não é engraçado?!

Mas o mais importante de tudo isso foi a resistência de todas e todos que fizeram a Marcha da Maconha de Brasília. Mesmo com toda essa repressão absurda, não se intimidaram, levaram o grito da legalização até a porta do Congresso Nacional e fizeram uma imensa e linda folha humana de maconha no enorme jardim em frente à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal.

Portanto, diante de tanta hipocrisia e desrespeito à Suprema Corte, temos de gritar: STF, julgue a nossa causa e acabe logo com toda essa hipocrisia, RE 635659!