23.6.16

BOLSONARO MAIS QUE MERECE

Por TEREZA CRUVINEL - Via blog da autora -


Nenhuma mulher merece a hediondice do estupro, mas Bolsonaro merece a decisão do STF, que o tornou reto nas ações movidas pela Procuradoria Geral da República e pela própria deputada Maria do Rosário (PT-RS), a quem ele disse que não a estuprava porque ela “não merece”. Agora as feministas já se mobilizam para que o STF, além de torná-lo réu, julgue com celeridade as duas ações e condene Bolsonaro. Deputado condenado criminalmente, com trânsito em julgado, perde automaticamente o mandato.

Bolsonaro merece a condenação e a cassação decorrente por ter contribuído, neste caso, pelo fortalecimento da cultura do estupro, tão subjacente à nossa vida. E por  sua contribuição constante à difusão da barbárie, na condição de deputado federal mais votado do estado do Rio de Janeiro.  Merece a condenação porque tem abusado da indulgência das autoridades para com os que banalizam a violência contra a mulher,  desrespeitam os valores democráticos e incitam o ódio e o preconceito. Eram de Bolsonaro os cartazes levados pelo grupo de jovens fascistas que protagonizaram, na semana passada,  uma cena de violência e incitação ao ódio na UnB, bradando contra “esquerdistas”, “gays parasitas”, entra e outras palavras de ordem odiosas. Ao votar a favor da abertura do impeachment da presidente Dilma Rousseff, Bolsonaro homenageou brilhante Ulstra, o mais conhecido e truculento dos comandantes dos porões de tortura da ditadura. Foi crime de apologia à tortura.

Uma coisa é ser de direita,  escolha garantida pela liberdade de credo ideológico garantida pela Constituição. Outra é violar sistematicamente os próprios princípios constitucionais, como faz Bolsonaro. O mau exemplo de figuras públicas como ele tem adubado a cultura de ódio, rancor e intolerância que foi se instalando na sociedade brasileira, suprimindo, até mesmo dentro da famílias, a convivência dentro da diversidade e da pluralidade. Condenando-o, o STF estará sendo pedagógico, como foi em outras decisões relacionadas com o primado da civilização sobre a barbárie. Por exemplo, ao legitimar as cotas racionais e dar consistência ao crime de racismo, ao autorizar o aborto de anencéfalos e as pesquisas com células tronco.