13.6.16

BURACO NEGRO

EUSÉBIO PINTO NETO -


A crise econômica tem sido usada como bandeira política para retirar direitos conquistados a duras penas pelo movimento sindical e neutralizar a sociedade. Mais uma vez, a máquina do Estado passa como rolo compressor sobre o trabalhador para garantir a gestão administrativa. A conta desse buraco negro, que suga todos os recursos oriundos de impostos, não pode ser paga pela classe trabalhadora.

O corte de projetos sociais, que garantem a subsistência de mais de 200 mil famílias, e o estudo que prevê a redução de incentivos para a concessão do Bilhete Único, que atende a mais de 4 milhões de trabalhadores no Estado do Rio de Janeiro, não podem passar desapercebidos. O movimento sindical, os dirigentes de entidades de classes e os coordenadores sociais precisam reagir a esse ataque de direitos.

O pacote de medidas do Governo do Estado do Rio de Janeiro publicado no Diário Oficial desta quinta-feira(9) é um duro golpe contra os trabalhadores. Cargos administrativos serão extintos, com a fusão de secretarias e a privatização de serviços públicos. Sem falar na suspensão de concursos públicos por um ano, bem como a proibição de nomeação de funcionários aprovados para ocupação de cargos efetivos.

É como se de uma hora para outra, todos os problemas fossem resolvidos com uma simples canetada. Sabemos que no dia a dia as coisas não acontecem da forma como são denominadas no papel. A realidade é bem diferente. Ao suspender o concurso público, o Estado deixa de levar em consideração o déficit de pessoal provocado pelo afastamento por doença, aposentadoria, licenças e etc.

A revisão de mais de cem contratos de concessão de serviços públicos e a exploração do sistema de água e esgoto na Baixada Fluminense, por meio de uma parceria público-privada (PPP), chama a atenção para abertura do processo de privatização.

Como forma de moralizar as contas públicas, o Estado coloca à venda dez imóveis e proíbe a utilização de carros custeados pelo Governo do Rio. A opção não parece ser a mais rentável, nem vai resolver o problema do Estado que tem mais de 16 milhões de habitantes.

Essas medidas paliativas têm como objetivo fazer o povo absorver, lentamente, os cortes drásticos que ainda estão por vir. A população do Rio de Janeiro não é mingau quente que se come pela beirada.

O movimento sindical precisa reagir a essa covardia contra a sociedade, que furta os sonhos e impede o desenvolvimento. Se calar, é dar ao Executivo um cheque em branco para ser usado nas próximas eleições.

*Eusébio Pinto Neto, Presidente do SINPOSPETRO-RJ.