4.6.16

CULTURA

MIRANDA SÁ -

“Algo anda mal na cultura de um país se os seus artistas, em lugar de se proporem mudar o mundo e revolucionar a vida, se empenham em alcançar proteção e subsídios do governo” (Vargas Llosa)


O conceito de cultura é tão abrangente que traz no seu bojo – entre centenas de produções sociais – cantores, compositores e artistas globais… Seria enfadonho listar o grande número de atividades culturais desde o folclore até o acadêmico, passando por artesãos, arquitetos, editores, escritores, escultores, desenhistas, fotógrafos e cinegrafistas, cineastas, lapidadores, matemáticos, músicos, pintores…

A discussão que se faz no Brasil é sobre privilégios. O dito Ministério “da Cultura” não alcança as massas; e a Lei Rouanet, que priva o Estado da arrecadação de tributos, principalmente das grandes empresas, inclusive multinacionais, privilegia pessoas que faturam duplamente; embolsam a verba e cobram ingressos para espetáculos.

Que faz o Ministério da Cultura, se estão sucateados ou terceirizados bibliotecas, centros de pesquisa, museus, salas-de-cinema até jardins zoológicos – que oferecem conhecimentos na prática e coletivamente? Os “artistas Rouanet” não leem: A Biblioteca Nacional está em obras há cinco anos, e nunca protestaram.

Gostaria de mostrar cultura aqui neste pobre Brasil no século 16, implantada pelos jesuítas nas Missões do Rio Grande do Sul; infelizmente não completei ainda a pesquisa sobre elas; então, peço licença a H. G. Wells.

Este grande romancista e divulgador da chamada ficção científica – com livros que se popularizaram, como “A Máquina do Tempo”, “O Homem Invisível”, “A Guerra dos Mundos” e “A Ilha do Dr. Moreau”, escreveu uma notável História Universal –  The outline of History: Being a Plain History of Life and Mankind.

Nela, Wells nos dá um exemplo de arrepiar; o legado de Alexandre – O Grande. O guerreiro macedônio, que reinou 13 anos, tem realizações espantosas. Após a invasão do Egito fundou Alexandria, e lá deixou o general Ptolomeu que com ele foi discípulo de Aristóteles. Ptolomeu assumiu a direção do Egito como o faraó Ptolomeu I.

Para não estendermos muito, aprendemos com Wells que em Alexandria, no século IV AC, foi fundada a primeira universidade do mundo; um colégio que reuniu sábios de vários países, e um Museu ainda invejável. No conjunto arquitetônico nasceu também a célebre Biblioteca que mantinha uma livraria.

Imaginem: Sem papel nem gráficas, os escritos eram copiados à mão em pergaminho, às centenas; adotaram o grego desprezando os hieróglifos. Através dos judeus da diáspora que a transmitiam oralmente, a Bíblia foi escrita e divulgada na Europa.

Acorriam centenas de jovens para aquele centro cultural em busca de conhecimentos, encontrando um lugar, inexistente na época, onde além da ciência e da cultura, encontravam um sistema universitário sem discriminações de qualquer espécie. Ali se misturavam nacionalidades e raças, com liberdade de religião e culto.

Daria para acrescentar outros magníficos exemplos de cultura, mas, mesmo parando por aqui, vemos que em 13 anos Alexandre deixou uma herança cultural respeitável e invejável, o que não se viu nos 14 anos do PT-governo. Os pelegos fascistóides discriminaram e beneficiaram somente uma minoria de apaniguados.

Usufrutuária de verbas públicas, a pelegagem defende ruidosamente os benefícios como grandes agitadores, e, em vez de revolucionar a cultura levando-a as massas, se empenham somente em conquistar subsídios do Estado.

Infelizmente influenciaram o novo governo para revogar o fim de um ministério dito “da Cultura” que não existe em nenhum dos países avançados do mundo.