12.6.16

DELFIM NETTO É INTIMADO A DEPOR NA OPERAÇÃO LAVA JATO; PGR: ROMÁRIO É SUSPEITO DE RECEBER CAIXA DOIS

Via Congresso em Foco -

A PF quer que Delfim explique os serviços prestados por ele à Odebrecht e que justifique os R$ 240 mil que recebeu da construtora. A PGR pediu para o STF investigar Romário pela suspeita de ter recebido R$ 100 mil da também Odebrecht. 
O ex-ministro da Fazenda do Regime Militar Delfim Netto foi intimado para prestar esclarecimentos à Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato. A intimação determina que Delfim apresente documentos comprovando os serviços prestados por ele à Odebrecht e que justifiquem o pagamento de R$ 240 mil, entregues em espécie ao sobrinho do ex-ministro, Luiz Apollonio Neto.

A audiência ainda não tem data definida ara acontecer. Delfim foi citado na delação premiada do ex-executivo da Andrade Gutierrez Flávio Barra, homologada em abril pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No depoimento, Barra afirmou que a empreiteira teria pago propina de R$ 15 milhões a Delfim na fase final das negociações para construção da Usina de Belo Monte em 2010.

Defesa

O dinheiro seria uma “gratificação” ao ex-ministro, que teria ajudado a montar consórcios que disputaram a licitação para a obra da hidrelétrica. Ainda segundo a delação, a propina teria sido paga a Delfim por meio de contratos fictícios entre a Andrade Gutierrez e empresas de Apollonio Neto.

A defesa de Antônio Delfim Netto contestou “de maneira veemente” que o ex-ministro tenha cometido qualquer irregularidade. Em nota à imprensa, os advogados Ricardo Tosto e Maurício Silva Leite afirmaram que Delfim Netto “prestou consultoria na área econômica e recolheu todos os impostos em decorrência da prestação dos serviços”.

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A Procuradoria-Geral da República pediu para o STF para investigar o senador pela suspeita de ter recebido R$ 100 mil da empreiteira Odebrecht sem declarar à Justiça Eleitoral.

A Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o senador Romário (PSB-RJ) pela suspeita de receber caixa dois na campanha eleitoral de 2014. A apuração é do repórter Felipe Coutinho, da revista Época. A PGR apura se o senador recebeu R$ 100 mil da empreiteira Odebrecht sem declarar à Justiça Eleitoral. Romário diz que não.

A investigação, segundo a revista, é sigilosa e ainda inicial. O indício surgiu a partir de mensagens de celular trocadas entre Marcelo Odebrecht e seu subordinado Benedicto Barbosa da Silva Júnior, logo após a eleição de 2014. Benedicto é um dos principais executivos da Odebrecht e ganhou notoriedade por manter um controle de valores ligados a mais de 200 políticos. Assim como Marcelo Odebrecht, ele chegou a ser preso pela Lava Jato. As conversas foram apreendidas pela Polícia Federal na fase da Operação Lava Jato que prendeu Marcelo.

Na petição encaminhada ao Supremo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma que a conversa entre os dois empresários é um indício da “prática habitual e sistemática de pagamento de propina”. Apesar de o diálogo citar R$ 100 mil para Romário, oficialmente não houve doações para o candidato, o que levantou à suspeita de caixa dois. A investigação, contudo, ainda está nos primeiros passos para tentar descobrir se efetivamente foi pago o montante tratado nas conversas.

Em seu site, Romário divulgou uma nota negando o recebimento de doações da Odebrecht e dizendo que sequer conhece Marcelo Odebrecht. O parlamentar disse ainda que vai pedir esclarecimentos à PGR. “Já disse uma vez e volto a registrar, não vão me meter no meio dessa lama”, afirmou.