6.6.16

DIREITOS SEXUAIS E INTIMIDADE

MARCELO MÁRIO MELO -


Nem o vizinho, nem o estado nem a mídia têm nada a ver com a individualidade das pessoas, principalmente, no que diz respeito à sexualidade, seu território mais reservado.

Só é cabível qualquer interferência, ante a violação muito bem configurada de direitos, principalmente, envolvendo pessoas em situação de fragilidade, menoridade, senilidade, doença, dependência, intimidação, violência etc.

Fora disso, teremos o puro intervencionismo legal e estatal na vida privada. A preconceituosa fofocagem de vizinhança. E o noticiário libidinoso de baixo nível, subproduto acanalhado do pior colunismo social, pautado pelo come-come das “celebridades”.

Representa um nível atrasado de civilidade, a identidade sexual das pessoas ser objeto de debate público. Revelando que ainda estamos muito longe de ver delimitada a fronteira entre o público e o privado. O público e o púbico.

E a publicização da sexualidade nada tem de avanço. É pura vulgarização consumista, que arrasta a regressões na escala evolutiva

Pois é comum vermos cachorros transando pelas ruas, ou engatados no pós-gozo. Assim com dormem , roem ossos, urinam e defecam, indiferentes.

Mas com o animal racional, a coisa se refina. Fazemos refeições com louça, talheres e mesa posta. Nossos pratos principais são complementados por couvert, aperitivo, sobremesa, cafezinho, digestivo.

Satisfazemos nossas necessidades higiênicas e fisiológicas em locais reservados, com a ressalva dos mictórios masculinos.

E à semelhança das refeições, preparamos a alcova para o sono e os embalos do amor, considerando os componentes relacionados às preliminares, ao durante e ao depois.

A preservação dessa instância de intimidade faz parte da evolução e da democratização sexual. O direito elementar de cada um viver na casa e na alcova o que quiser, como quiser e com quem quiser.

Segundo o livre consentimento dos envolvidos ou o acerto quanto à prestação dos serviços. Numa profissão absurdamente ainda não regulamentada. Com o agravante de as suas e os seus agentes terem uma vida ativa curta, a exemplo dos jogadores de futebol e dos atletas.

Enfim, que se deixe o povo namorar, transar, acasalar-se ou, simplesmente, se satisfazer sexualmente como bem quiser, individualmente e em grupo, de hétero a LGTB Trans e tantas letras mais que surjam.

A pauta democrática deve ser focada na flexibilização, no alargamento e na legitimação que envolvam casamento, divórcio, adoção, aborto, prostituição, maconha Junto ao rigor ante homofobia, misoginia, pedofilia, prostituição infantil, racismo, trafico.

Sem prejuízo de ações afirmativas como camisinha na cesta básica, vale-motel, vale-viagra, bolsa lua-de-mel e rede de motéis incorporada ao campus universitário.