30.6.16

MORO JÁ AGENDOU OUTRO SHOW MIDIÁTICO?

Por ALTAMIRO BORGES -


Como sempre ironiza o afiado blogueiro Paulo Henrique Amorim, "o relógio do juiz Sérgio Moro é de uma precisão suíça". Na semana passada, quando o descartado Eduardo Cunha ameaçava delatar seus comparsas no "golpe dos corruptos" e a Polícia Federal finalmente prendia os donos do "jatinho-fantasma" de Eduardo Campos e Marina Silva, o "justiceiro" da Lava-Jato voltou a estrelar seu show midiático na prisão do ex-ministro Paulo Bernardo, na ação de busca e apreensão na casa da senadora petista Gleisi Hoffmann e na operação de guerra na sede nacional do PT, no centro de São Paulo. A tática diversionista de Sérgio Moro já está ficando manjada e todos se perguntam quando será o seu próximo lance: na véspera da votação do impeachment de Dilma no Senado, prevista para agosto?

As arbitrariedades do juiz Sérgio Moro foram criticadas até por parlamentares golpistas, que temem pelo seu futuro. O presidente do Senado, o peemedebista Renan Calheiros, anunciou que acionará o STF contra as arbitrariedades. Já Gleisi Hoffmann fez um duro discurso no Senado na segunda-feira (27). Para ela, a prisão do seu marido, Paulo Bernardo, "foi um despropósito do início ao fim. Prisão preventiva? Prevenir o quê? Um processo iniciado em meados de 2015, sem nenhuma diligência e nenhuma oitiva, mesmo por diversas vezes ter ele solicitado para depor. Qual risco oferecia meu companheiro à ordem pública, à instrução processual, à aplicação da lei?", questionou a senadora.

Para ela, a operação foi um "show midiático" visando humilhar os que se opõem ao impeachment de Dilma. "A prisão foi surreal. Até helicópteros foram usados, força policial armada e muitos carros. Para que isso? Para chamar a atenção? Demonstração de força? Humilhação? Foi um uso de dinheiro público desnecessário. E também foi uma clara tentativa de abalar emocionalmente o trabalho de um grupo crescente de senadores que discordam dos argumentos que vêm sendo usados para tirar da presidência uma mulher eleita legitimamente pelo povo brasileiro com mais de 54 milhões de votos".

Operação diversionista contra o PT

Já a direção do PT divulgou nota em que "condena a desnecessária, midiática, busca e apreensão na sede nacional de São Paulo. Em meio à sucessão de fatos e denúncias envolvendo políticos e empresários acusados de corrupção, monta-se uma operação diversionista na tentativa renovada de criminalizar o PT. A respeito das acusações assacadas contra filiados do partido, é preciso que lhes sejam assegurados o amplo direito de defesa e o princípio da presunção de inocência. O PT, que nada tem a esconder, sempre esteve e está à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos".

No mesmo tom, o deputado gaúcho Paulo Pimenta criticou o show midiático. "Para cumprir mandato de busca e apreensão na sede do PT, se vê policiais federais vestidos como se fossem fuzileiros, com armas de grosso calibre... Não se vê esse espetáculo quando o alvo prioritário é o PMDB, que teve o presidente da Câmara Federal denunciado num esquema de milhões de dólares e contas no exterior”. Já o deputado Wadih Damous, ex-presidente da sessão carioca da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), disse que a ação da Polícia Federal visa "destruir o PT a qualquer custo. Utilizam o aparato policial para enriquecer o espetáculo político e midiático contra o partido".

O encontro com o "sinistro" da Justiça

O curioso em toda esta operação, que resultou na prisão de 24 pessoas em seis estados e no Distrito Federal -, é que ela foi deflagrada dois dias após o encontro do ministro interino da Justiça, o truculento Alexandre de Moraes, com o "justiceiro" Sérgio Moro. Indagado sobre a estranha coincidência, o sinistro respondeu na maior caradura: "Compareci a Curitiba numa visita institucional de apoio e de oferta de infraestrutura e recursos humanos para que a Lava-Jato continue fazendo seu trabalho. Não há nenhuma relação com esta operação". Ele ainda garantiu que o Michel Temer "apoia totalmente o combate à corrupção e à Lava-Jato". Só mesmo os midiotas devem ter acreditado na bravata proferida por um dos mais ativos participantes do "golpe dos corruptos"!

Na prática, o show midiático de Sérgio Moro na semana passada serviu para dar fôlego ao governo golpista, que andava meio acuado. Como observa Bernardo Mello Franco, um dos poucos jornalistas com senso crítico da Folha, a ação policial "abala a moral da tropa dilmista. Ela ocorre num momento em que o noticiário policial se voltava contra o PMDB de Michel Temer. Por isso, a desgraça do ex-ministro foi motivo de comemoração discreta no Planalto. No front petista, a reação foi de desânimo e perplexidade. 'Isso vai dar um alívio ao Temer e uma desarticulada na gente', comentou um senador, em conversa reservada". Ou seja, de fato "o relógio do juiz é de uma precisão suíça". Agora é esperar por mais um show midiático de Sérgio Moro para consolidar o "golpe dos corruptos"!