26.6.16

O DELATOR

MIRANDA SÁ -

“A corrupção dos governantes quase sempre começa pela corrupção dos seus princípios” (Montesquieu)


A esperança pregada pelo Partido dos Trabalhadores na primeira campanha que elegeu Lula da Silva não passava daquele inseto ortóptero da família das “Tettigoniidae”, primo dos grilos, de costume disfarçado, cuja picada urge e incha a pele.

Na crendice popular se diz que a “esperança” dá sorte e traz dinheiro, mas da política brasileira só trouxe sorte e dinheiro para a família Lula da Silva e aos hierarcas do PT, a pelegagem que chegou ao poder e os aliados corruptos.

Entretanto, de volta ao passado, a vitória de Lula veio cercada de expectativas para a melhoria de vida dos trabalhadores, mas resultou numa aliança espúria dos picaretas do Congresso Nacional, empreiteiros e banqueiros, transformando o governo federal numa Cleptocracia arrogante e antidemocrática.

A roubalheira institucionalizada transpareceu e se difundiu quando passou a ser administrada pelo fantoche de Lula, Dilma Rousseff. O Brasil assistiu toda espécie de manobras, disfarces e ilegalidades nos assaltos dos lulo-petistas à coisa pública.

E aí se revelou que as conquistas dos trabalhadores se resumiram a propaganda enganosa, discursos demagógicos e falsas promessas na execução de uma “política social” de distribuição de benesses para um colégio eleitoral de parasitas.

Até o “empréstimo consignado” para os funcionários públicos, aposentados e pensionistas carreou vantagens para o partido e para o bolso de ministros e senadores do grupo autodenominado “de esquerda bolivariana” …

Em boa hora, graças à pressão popular que levou 10 milhões de pessoas a se manifestar em todo País, Dilma, a marionete de Lula, está sendo julgada política e juridicamente no Senado Federal num processo do impeachment.

O povão despertou ao tomar conhecimento das inomináveis bandalheiras descobertas, primeiro no processo do “Mensalão” e agora trazidas escandalosamente pela Operação Lava Jato, conduzida pelas mãos limpas da Polícia Federal, o Ministério Público e o juiz Sérgio Moro.

Neste cenário de indignação e ruidosas denúncias sobressai-se a figura do delator. Sob a coordenação de Moro apoiada na ação convincente e transparente do MP e PF a delação premiada foi adotada.

Nada mais republicano do que a Lei que rege a delação premiada impondo que nenhuma sentença condenatória terá como fundamento somente as declarações de agente colaborador (Lei 12.850/2013 artigo 4º, §16). No caso da Lava Jato sobejam agendas com anotações, memórias não voláteis de computadores, gravações telefônicas, testemunho, notas de compras e até recibos assinados!

Diretores da Petrobras, donos e executivos de empreiteiras, funcionários públicos graduados e até detentores de mandatos eletivos envolvidos em esquemas de corrupção “abriram a boca”. No momentoso caso que envolve o fundador do PT e ex-ministro de Lula e Dilma, Paulo Bernardo, temos a citação de cinco delatores!

Entre os que denunciam Paulo Bernardo (e à sua mulher, senadora Gleise Hoffman) aparece o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que fala da doação de R$ 1 milhão para a campanha de Gleise ao Senado. Corroborou nesta transação criminosa, outro delator, Alberto Youssef.

Acode também a delação do ex-senador Delcídio Amaral, com uma bomba: a existência de um órgão mantenedor das finanças de Paulo Bernardo e das despesas do mandato de Gleisi, a Consist Software.

Outro delator, Antonio Carlos Brasil Fioravante Pieruccin, confirmou repasses de dinheiro para a campanha de Gleisi a pedido de Alberto Youssef; segundo ele, pelo menos R$ 7 milhões teriam sido repassados ao escritório do advogado de Bernardo-Gleisi.

Finalmente um petista de carteirinha! O ex-vereador Romano, codinome Chambinho, preso durante a 18ª fase da Operação Lava Jato, afirmou na sua delação ter repassado os dólares da cueca, e detalhou o esquema do qual Paulo Bernardo se beneficiava com o crédito consignado, desencadeando a Operação Custo Brasil – a Pixuleco 2.

Importante é registrar que tudo traz “provas incontestáveis”. Mesmo assim, senadores se revoltaram com a busca e apreensão determinada pela Justiça no apartamento do casal. Casa de parlamentar é santuário para abrigar bandidos?