21.6.16

O GESTO QUE MATA E A PALAVRA QUE NÃO SALVA

CARLOS CHAGAS -


Não parece fácil chegar ao fim do ano abaixo dos 14% de desemprego. Pelo contrário, é o mais provável. Fazer o quê? Nem o governo Temer tem solução, sequer a iniciativa privada. Do exterior nem se fala. Sem desatar esse nó, nada  feito. Porque vivemos o período da explosão de desejos mal satisfeitos. O consumo ultrapassou a produção, e agora exportar deixou de ser a saída mais simples. O resultado é que nos voltamos para o mais complicado.

Traduzindo essa aparente contradição: falta emprego na indústria, como falta na agricultura, assim como nos serviços.

Nos Estados Unidos, quando da grande queda dos anos Trinta, o remédio foi abrir frentes públicas de trabalho. E mais, de forma matreira, a preparação para uma nova guerra. Aqui, não temos a quem invadir. Muito menos, só consumir o supérfluo.

Inverter o pêndulo das necessidades exigiria antes de tudo altos investimentos na educação pública, mas se menos podemos pensar na saúde…

Acresce que investir na indústria privada de transportes aumenta o vazio, tanto quanto o desperdício de recursos públicos.

Em suma, vivemos numa situação de queda livre, à espera do gesto que mata e da palavra que não salva.