28.6.16

PARA OS AMERICANOS (DO NORTE)

CARLOS CHAGAS -


As eleições para presidente da República, nos Estados Unidos, vem sendo minimizadas na mídia brasileira por conta da corrupção. Claro que a nossa corrupção, todos dias engalanada com a prisão de mais um ministro, parlamentar ou empreiteiro. Por conta disso, dá-se pouca importância à possibilidade de vitória do candidato do Partido Republicano, aliás muito difícil, sobre a escolhida pelo Partido Democrata. Apesar disso, seria bom prestar atenção.

Mister Trump promete retornar aos tempos do lançamento da Doutrina Monroe, apresentada em 1823, quando o então inquilino da Casa Branca declarou: “devemos declarar por amor da franqueza e das relações amigáveis que existem entre os Estados Unidos e as potências europeias que consideraremos qualquer tentativa de sua parte para estender o seu sistema a qualquer parte deste hemisfério como coisa tão perigosa para nossa tranquilidade como para nossa segurança. Com as colônias existentes e as dependências das mesmas potências, não temos intervindo nem interviremos. Em relação, porém, aos governos que declararam a sua independência e a tem mantido, independência que depois de grande reflexão e que por justos princípios, nós reconhecemos, toda interferência por parte de Qualquer potência europeia, com o fim de oprimi-los e de qualquer modo dominar os seus destinos, não poderá ser encarada por nós senão como manifestação hostil para com os Estados Unidos.”

A partir daí, e até hoje, vale a decisão de que a América é para os americanos, só que do Norte. O Secretário de Estado, Mister Evart, acrescentou esse detalhe, num discurso, arrancando vigorosos aplausos quanto exemplificou: “começamos pelo nosso caro vizinho, o México, de que já comemos um bocado em 1848. A América Central virá depois, abrindo nosso apetite quando chegar a vez da América do Sul. Olhando no mapa vemos que aquele continente tem a forma de um presunto. Uncle Sam é um bom garfo. Há de devorá-lo...”

Nem é preciso recorrer aos livros de História para verificar quantas vezes os Estados Unidos intervieram abaixo do rio Grande: mais de cem. Tanto militar quanto economicamente.

Recordam-se esses fatos porque Michel Temer, ou remotamente Madame, deveriam dedicar algum tempo para decifrar o que vem lá de cima, a partir de novembro...