1.6.16

PRESIDENTE DO BRADESCO É INDICIADO NA OPERAÇÃO ZELOTES; ODEBRECHT PROMETE REVELAR CAIXA 2 DE PT, PSDB E PMDB

Via Jornal GGN -


Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco foi indiciado pela Polícia Federal por crimes como tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Outras nove pessoas também foram indiciadas no âmbito da Operação Zelotes. As informações foram coletadas pelo Valor PRO.

O inquérito corre em segredo de Justiça e foi remetido ao Ministério Público Federal. A Zelotes é a operação da PF que apura a manipulação em julgamentos do Carf – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em que grandes contribuintes pagariam propina para reverter as decisões desfavoráveis a eles.

No começo da Operação, foram identificados 74 processos no Carf que mereciam uma análise mais acurada por suspeita de pagamento de propina, sendo que 12 carregavam fortes indícios de corrupção. O Bradesco é parte de um desses processos.

O MPF vai, então, avaliar o material para poder decidir se é preciso novas diligências. Depois decidirá se oferece denúncia, ou não, contra os acusados, que podem ser todos, alguns ou mesmo pedir a inclusão de novas pessoas em eventual denúncia.

Com o indiciamento, as ações do Bradesco lideraram as perdas do Ibovespa e o papel Bradesco PN fechou em queda de 5% e Bradesco ON caiu 3,36%.

Em nota, o Bradesco negou qualquer participação ou negócio com o grupo investigado pela PF na Operação Zelotes. Ainda em nota, o banco informou que Trabuco não fez parte de nenhuma reunião com tal grupo acusado de cobrar propina e que foi derrotado por seis votos a zero no julgamento do caso em questão.

O mérito diz respeito a uma ação vencida pelo Bradesco na Justiça, no questionamento da cobrança adicional do PIS/Cofins. A ação foi tema do recurso feito pela Procuradoria da Fazenda no Carf, segundo a nota do banco. E diz ainda que irá apresentar seus argumentos juridicamente por meio de seus advogados.

Quando o caso apareceu, no ano passado, o Bradesco informou que os consultores do grupo citado na acusação foram recebidos pelo vice-presidente do banco, Domingos Abreu, e também pelo diretor-executivo, Luiz Carlos Angelotti, mas os serviços não foram acatados. *Com informações do Valor.

Odebrecht promete revelar caixa 2 de PT, PSDB e PMDB

O empresário Marcelo Odebrecht assinou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF), na última quarta-feira (25) e já começou a prestar depoimentos aos investigadores. Além do empresário, seu pai, Emilio Odebrecht, também fechou acordo na condição de colaborador da Lava Jato. A empresa promete detalhar esquema de caixa 2 que envolve centenas de políticos do PT, PSDB e PMDB.

O intuito da empreiteira é, após as delações com executivos, conseguir um acordo de leniência que diminua os danos sofridos pela empresa junto ao MPF. Com o acordo, a empresa não será considerada inidônea, podendo voltar a assumir contratos de obras com o poder público, além de ter facilidade junto aos bancos para conseguir linhas de crédito.

De acordo com informações de Monica Bergamo, na Folha, as conversas para a delação de Marcelo e Emílio e a própria leniência da Odebrecht já vinham ocorrendo há alguns meses e se tornaram, desde a última semana, oficiais.

O pai de Marcelo, que está preso preventivamente há mais de um ano, desde 19 de maio de 2015, pelo juiz Sergio Moro, Emílio Odebrecht também já ocupou a presidência da empresa e prestará informações sobre o que tem conhecimento.

A empreiteira promete não apenas detalhar o financiamento de todas as campanhas majoritárias de anos recentes, como não poupar nenhum dos grandes partidos - além do PT, o PSDB e o PMDB. Assim, não apenas a campanha da presidente afastada Dilma Rousseff seria impactada, como também a do candidato da oposição nas eleições de 2014 à presidência, Aécio Neves (PSDB-MG) e o próprio presidente interino Michel Temer.

Ao contrário do que levantado pelos grandes veículos sobre a possível delação de Marcelo, que envolveria diretamente a campanha da presidente Dilma, por supostamente ter pedido recursos a ele em encontro no Palácio da Alvorada, esse tema não foi abordado com o Ministério Público Federal.

Ainda dentro da negociação, os procuradores negociaram para ter acesso a toda a contabilidade de caixa dois da empresa, o que pode alcançar centenas de políticos e nomes de outros poderes, sendo uma amostra já adiantada na chamada "lista da Odebrecht", apreendida em março deste ano, que menciona o nome de mais de 300 políticos.

E além de Marcelo e Emílio, o termo assinado pela Odebrecht com os procuradores alcança ainda outros executivos da empreiteira, podendo chegar a 50 pessoas no acordo. Para os investigadores aceitarem as informações dos empresários, foram apresentados dezenas de anexos com temas considerados relevantes para as investigações.