10.6.16

QUEM É QUE DISSE, QUE É NORMAL, AMERICANO LEVAR NOSSO PRÉ-SAL?

EMANUEL CANCELLA -


Essa foi a palavra de ordem dos estudantes de escolas técnicas de todo Brasil, em encontro na UFRJ na Ilha do Governador no Rio de Janeiro, que teve a participação do Sindipetro-RJ e de Caxias. O Enet/2016 aconteceu nos dias 27 a 29 de maio e reuniu cerca de 1500 estudantes.

Pela luta contra o golpe, nas ocupações do Ministério da Educação em todo o Brasil e nas escolas ocupadas, sempre a mesma discussão: que os petroleiros têm que fazer a greve e ocupar todas as unidades da Petrobrás no país, contra a flexibilização do pré-sal e a venda de ativos, o que, na verdade, é a privatização da Petrobrás. Na ausência de pesquisas “tradicionais”, que sumiram misteriosamente, como DataFolha, Ibope, Vox Populi, o blog Brasil 247 fez uma pesquisa e constatou o seguinte (vide abaixo): 95% rejeitam abrir pré-sal e, para 90%, início de Temer foi péssimo.

Pedro Parente foi nomeado pelo presidente interino, Michel Temer, e teve sua indicação aprovada pelo Conselho de Administração da companhia. Porém já enfrenta resistência pelas entidades petroleiras. Primeiro, a Aepet fez denúncia ao Ministério Público, pois Parente é réu em processo com as termelétricas, quando foi ministro de FHC e gerenciou o apagão, só isso já seria impedimento para o cargo. E agora Aepet, Club de Engenharia, Sindipetro-RJ, FNP e FUP estudam denunciar Pedro Parente ao Procurador Geral da República.

Além disso,  governo de Temer diz que não vai fazer nomeação política nas estatais, Pedro Parente, diz a mesma coisa na Petrobrás. Entretanto Parente é indicação do PSDB! Esse partido, quando governou o país, tendo à frente FHC, é de triste lembrança para a Petrobrás e para os petroleiros. Na ocasião, os tucanos, através de campanha na mídia, principalmente do Sistema Globo, comparavam a Petrobrás a um paquiderme e chamaram os petroleiros de marajás. Os petroleiros responderam com uma greve de 32 dias, o que impediu a privatização da Petrobrás, mas quebraram o monopólio. Na época, fizeram campanha parecida com a Vale do Rio Doce, a maior mineradora do mundo, e assim “venderam” a companhia a preço de banana.

Em 2006, a Petrobrás e os petroleiros desenvolveram tecnologia inédita no mundo que propiciou a descoberta do pré-sal. Mesmo assim, a Globo lança um editorial em dezembro de 2015 dizendo que o pré-sal pode ser patrimônio inútil. E agora o PSDB indica Pedro Parente, um inimigo da Petrobrás, para dar continuidade à privataria tucana.

Qualquer petroleira no mundo ia tratar o pré-sal como uma jóia da coroa! O pré sal garante nosso abastecimento de petróleo nos próximos cinqüenta anos. Qual empresa oferece isso ao país? E o pré- sal já produz um milhão de barris por dia, o suficiente para abastecer juntos todos os países do Mercosul. Pedro Parente considera o pré-sal um incômodo e, para mostrar que é alinhado com os tucanos, concorda com a proposta do também tucano José Serra de flexibilizar o pré-sal. E também é favorável à venda de ativos para tirar a Petrobrás da crise. Ou seja, já chegou anunciando o desmonte da empresa!

Parente, ao invés de se empenhar em aumentar a participação da Petrobrás no PIB, que já é de 13%, quer reduzir a Petrobrás de empresa de energia a empresa somente de petróleo. Na verdade, eles querem entregar a empresa aos gringos, toda investigação na Petrobrás é só para isso, porque se quisessem acabar com a corrupção não protegeria os tucanos envolvidos! Eles querem que o país seja somente fornecedor de matéria prima no mundo. Nós queremos vender produtos refinados, produzir e vender produtos petroquímicos para o mundo, produzir fertilizantes para contribuir para a produção de alimentos, para abastecer o país e exportar.

Queremos nossas termelétricas para que nunca mais haja apagão no país. Queremos a Petrobrás empresa do poço ao posto e ao poste para gerar empregos e renda para os brasileiros.

Não à flexibilização do pré-sal e à venda de ativos!


*Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).