13.6.16

TIROTEIO MAIS FATAL DA HISTÓRIA DOS EUA DEIXA PELO MENOS 50 PESSOAS MORTAS EM BOATE GAY DE ORLANDO; VEJA TUDO QUE JÁ FOI CONFIRMADO ATÉ AGORA

Via BBC Brasil -

O dia de domingo amanheceu trágico para os Estados Unidos quando veio à tona a notícia de que um homem havia aberto fogo contra centenas de pessoas em uma boate gay famosa na cidade de Orlando, na Flórida.


Inicialmente, foram anunciadas 20 mortes, mas até o fim deste domingo, as autoridades confirmaram que pelo menos 50 pessoas morreram no tiroteio, que ficou marcado por ter sido o mais fatal da história dos Estados Unidos.

A polícia também confirmou que o autor dos disparos, identificado como Omar Mateen, de 29 anos, foi morto em uma troca de tiros também na madrugada.

Veja o que se sabe até agora sobre o ataque que chocou o mundo neste fim de semana:

Pelo menos 50 mortos

As informações dão conta de que havia cerca de 320 pessoas dentro da boate Pulse, uma das maiores de Orlando, no momento do tiroteio. Na hora em que o homem começou os disparos, muitos correram para o local onde estava o DJ para se proteger.

Segundo a polícia de Orlando, há pelo menos 50 vítimas fatais do ataque. Outras 53 pessoas ficaram feridas - algumas em estado grave - e foram levadas a hospitais.

As autoridades começaram a divulgar os nomes das primeiras vítimas no fim deste domingo. Por enquanto, os nomes divulgados foram: Edward Sotomayor Jr; Stanley Almodovar III; Luis Omar Ocasio-Capo; Juan Ramon Guerrero; Eric Ivan Ortiz-Rivera; Peter O. Gonzalez-Cruz. A polícia pediu ainda paciência aos familiars porque os outros nomes ainda estão sendo identificados e as famílias serão notificadas assim que possível.

Por enquanto, ainda não há informações de brasileiros que poderiam ter sido mortos ou feridos no ataque. O Itamaraty divulgou uma nota em solidariedade às vítimas e disse que está em contato com as autoridades locais para trazer mais informações.

"O governo brasileiro recebeu com profunda consternação e indignação a notícia do ataque a casa noturna em Orlando, Flórida (...). O Consulado-Geral do Brasil em Miami está em estreito contato com as autoridades locais e com a comunidade brasileira em Orlando. Até o momento, não há notícia de brasileiros entre as pessoas vitimadas pelo ataque. (...) O governo brasileiro reafirma seu mais firme repúdio a todo e qualquer ato de terrorismo. Nenhuma motivação, nenhum argumento justifica o recurso a semelhante barbárie assassina", diz a nota.

Autor tinha origem afegã e trabalhava em empresa de segurança

Identificado pelas autoridades como Omar Mateen, o autor dos disparos nasceu nos Estados Unidos, mas é filho de pais afegãos. Ele tinha 29 anos e foi morto em troca de tiros com a polícia após o ataque na boate.

Na noite deste domingo, houve também a confirmação de que Mateen trabalhava como guarda em uma empresa de segurança chamada G4S e, por isso, tinha porte de armas.

"Nós podemos confirmar que Omar Mateen é empregado da G4S desde 10 de setembro de 2007", afirmou a empresa em nota. "Nós estamos cooperando com todas as autoridades nessa investigação."

O FBI está liderando a investigação do caso como um ato de terrorismo. Ainda não se sabe qual teria sido a motivação do atirador. O grupo extremista que se autodenomina "Estado Islâmico" chegou a reivindicar a autoria do ataque, mas a ligação de Mateen com o grupo ainda não foi confirmada.

Segundo o FBI, as autoridades federais americanas chegaram a entrevistar o autor do ataque em duas oportunidades sobre possíveis ligações terroristas, uma em 2013, e outra em 2014. No entanto, eles não encontraram informações que o comprometessem e encerraram as investigações.

Neste domingo, o pai de Mateen falou à rede de TV americana NBC News e contou que o filho ficou "irritado" quando viu dois homens se beijando no mês passado.

Tiroteio mais fatal da história

Mortes causadas por atiradores não são uma raridade na história americana. A frequência com que esses tiroteios acontecem é, inclusive, tema de grande debate sobre a legislação de porte de armas nos Estados Unidos.

No entanto, o tiroteio na boate em Orlando chamou a atenção por ter sido o mais fatal que já aconteceu em território americano. Com ao menos 50 mortes confirmadas, o ataque deste domingo supera o massacre de 2007 na universidade Virginia Tech, quando um estudante abriu fogo no campus matando 32 pessoas. Considerando ataques terroristas, esse é o pior nos Estados Unidos desde o 11 de setembro.

Obama faz apelo por legislação sobre armas

Mais uma vez, o presidente Barack Obama precisou vir a público manifestar suas condolências sobre um novo massacre causado por um atirador. Essa é a 13ª vez que ele teve de fazer isso em oito anos de governo. E Obama aproveitou a oportunidade para tentar reverter aquilo que ele mesmo já chamou de "grande frustração" de seu período na Presidência: a legislação sobre armas.

"O dia de hoje marca o tiroteio mais mortal que já tivemos na história dos Estados Unidos. Isso é também um lembrete sobre como é fácil para alguém colocar as mãos em uma arma e atirar em pessoas numa escola, numa igreja, num cinema ou em uma boate", afirmou Obama.

"Temos que decidir se esse é o país onde queremos viver. E a atitude de não fazer nada é uma decisão também", completou.

Doação de Sangue para vítimas

O ataque deste domingo deixou pelo menos 53 feridos, e centros de doação de sangue em Orlando usaram as redes sociais para pedir doações "urgentes" para atender as vítimas.

No entanto, a situação reacendeu uma polêmica nos Estados Unidos, já que gays ainda são proibidos de doar sangue no país.

No final do ano passado, a FDA (Food and Drug Administration), a Anvisa americana, derrubou a proibição vitalícia à doação de sangue por gays.

Ainda assim, homens que tenham tido relações sexuais com outro homem nos 12 meses anteriores à coleta continuam proibidos de doar.

Mais cedo, rumores nas redes sociais indicaram que a cidade de Orlando havia suspendido temporariamente qualquer veto à doação de sangue por gays. No Twitter, porém, autoridades de saúde afirmaram que os boatos são falsos.

Ao fim do dia, um dos principais centros de doação de sangue de Orlando, OneBlood, disse que a resposta da populaçõa havia sido tão imediata, que eles já estavam pedindo a doadores para voltarem ao longo da semana, porque conseguiram preencher os estoques.

Comoção mundial

O ataque nos Estados Unidos gerou comoção mundial e muitos líderes internacionais se solidarizaram com as vítimas.

O presidente Barack Obama chamou o tiroteio de "ato de ódio e de terror" e disse que o país não se renderá ao medo.

"Nenhum ato de terror pode mudar o que somos. Diante do ódio e da violência, nós vamos amar uns aos outros. Não vamos nos render ao medo e nos virarmos uns contra os outros."

O presidente francês, François Hollande, disse que ficou "horrorizado" com a notícia e que os Estados Unidos podem contar com todo o apoio da França.

No Canadá, o primeiro ministro, Justin Trudeau, afirmou que está "profundamente chocado e abalado" pelo que aconteceu.

"Nós prestamos solidariedade a Orlando e a toda a comunidade LGB. Estamos em luto com nossos amigos dos Estados Unidos e da Flórida e oferecemos toda a ajuda que estiver ao nosso alcance."

No Twitter, a hashtag #LoveIsLove (Amor é Amor) figurou o dia todo como uma das mais compartilhadas mundialmente na rede social em apoio às vítimas do ataque.

Quem também se manifestou sobre o tiroteio foram os pré-candidatos à Presidência, Hillary Clinton, dos Democratas, e Donald Trump, dos Republicanos.

Enquanto Trump reiterou sua política de proibição à imigração islâmica, Clinton manifestou seu apoio à comunidade LGBT.

"O que aconteceu em Orlando é apenas o começo. Nossa liderança é fraca e ineficiente. Eu sugeri e pedi a proibição. Precisamos ser duros", disse Trump.

"Para a comunidade LGBT: por favor, sei que você tem milhões de aliados em todo o nosso país. Eu sou um deles. Continuaremos lutando por seu direito de viver livremente, abertamente e sem medo. O ódio não tem absolutamente nenhum lugar na América", disse Clinton, que assim como Obama, chamou o tiroteio de "ato de terror" e endossou o discurso dele sobre a questão das armas.

"Finalmente, é preciso manter as armas, como a que foi usada na noite passada, fora das mãos de terroristas ou outros criminosos violentos. Este é o tiroteio mais fatal da história dos Estados Unidos e nos lembra mais uma vez que as armas e a guerra não têm lugar nas nossas ruas."