26.7.16

APAGOU A LUZ E FOI DORMIR

CARLOS CHAGAS -



Só faltava ele. Agora não falta mais. A referência é para Henrique Meirelles, que acaba de ameaçar o país com novo aumento de impostos. Disse que se o Congresso não aprovar a proposta de criação de um teto para os gastos públicos, logo teremos aumento de impostos e de juros por longo período. O resultado será a interrupção do crescimento.

Com todo o governo empenhado na gastança pré-impeachment, o ministro da Fazenda era voz isolada a seguir a ortodoxia de não gastar mais do que arrecadar. Acaba de aderir à prática de lavar as mãos e ameaçar com o aumento de impostos e juros, caso os gastos públicos não se interrompam antes de chegar ao limite do desequilíbrio.

O problema é que essa distorção vem sendo comandada pelo presidente da República. Para garantir a aprovação definitiva do afastamento de Dilma, Michel Temer vem liberando todo o tipo de aumentos salariais e de despesas abusivas.

Parece até que já bateram de frente, o ministro e o presidente. Assim, Meirelles optou pela saída mais fácil: saltar de banda e empurrar as consequências da interrupção do crescimento para o próprio governo.

Esqueceu as promessas de que impediria a elevação de impostos. Fechou o círculo, apagou a luz foi dormir. É fácil imaginar sobre quem recairão os ônus da interrupção do crescimento e do equilíbrio nas contas públicas: os mesmos de sempre. Os assalariados e os menos favorecidos, vítimas dos mecanismos capazes de transferir para outros as despesas decorrentes da improbidade de seus planos e programas.

O ministro condenou-se ao acrescentar ter feito a opção errada, não tendo controlado a evolução da dívida pública. A etapa seguinte será culpar Michel Temer.