6.7.16

DEPOIS DA DÚVIDA, UMA VIAGEM À CHINA

CARLOS CHAGAS -


Mais uma vez, no caso a sétima, o presidente interino Michel Temer anunciou medidas impopulares. Até agora adotou aumentos para muitas categorias e destinou recursos para setores privilegiados. Explica-se: falta-lhe certeza se obterá no Senado 34 votos ou mais para permanecer na presidência da República até o fim do presente período antes destinado a Dilma Rousseff. Depois, se aquinhoado, acionará a guilhotina.

A dúvida é se conseguirá equilibrar-se, porque as pesquisas só tem indicado rejeição popular à sua performance.

Por enquanto, sucedem-se as manifestações contrárias a Temer, exatamente iguais às colhidas contra Dilma. As eleições municipais de outubro fazem prever malogro para os candidatos ligados ao governo, ainda que a confusão marque a presença dos partidos e grupos em disputa.

O que seriam medidas impopulares? Aumento de impostos? Supressão de iniciativas favoráveis aos contribuintes? Contenção de gastos?

Seu objetivo não é eleitoral, ele tem repetido, sustentando a importância do apoio ao governo. Mas apoiar o quê, se o desemprego se multiplica, os preços sobem e o poder público se omite?

A novidade, agora, é a viagem de Temer à China, anunciada esta semana para depois da derrota definitiva de Dilma. Quer vender aviões e carne bovina, em troca de investimentos nas rodovias e na geração de energia. Bem que depois dessa incursão no desconhecido o presidente que tiver deixado de ser interino poderia trazer na bagagem o exemplo da aplicação de todos os recursos possíveis na educação.