8.7.16

EDUARDO CUNHA: A RENÚNCIA ESPERADA, TÃO RETARDADA, DE UM PRESIDENTE QUE NÃO EXISTIA

HELIO FERNANDES -

Finalmente a retirada da presidência, apresentada oficialmente, sem subterfúgios. E apesar de tudo, em clima de surpresa. Ele manobrou tanto, praticou durante meses, ao mesmo tempo, o malabarismo da resistência e a desistência, que o ato e o gesto, tão esperados, teve tons de inesperado. A partir do instante em que leu o discurso, não se falou nem se tratou de outra coisa. O discurso é tão vil e sem consistência, que já está completamente ultrapassado. Tentar lê-lo, é perder tempo. Não acrescentará coisa alguma. (O importante, não está escrito)

Alem do mais, assim que Eduardo Cunha passou a ser ex-presidente, a SAÍDA perdeu toda e qualquer importância. A luta começou a ser travada pela ENTRADA. Todos querem substituir Eduardo Cunha. Com a exceção de uns raros, raríssimos, capacitados para o cargo. Que quando têm o nome citado, falado, lembrado, são imediatamente vetados, recusados, dizimados. A Câmara (e naturalmente o Congresso como um todo) está tão desmoralizada, que o grupo majoritário ou que assim se julga, age movido pela subserviência ou subversão.

A partir do momento do anuncio, tudo pode acontecer. Até os fatos oficiais, podem ser desmentidos ou "desanunciados". Um só exemplo: o presidente interino, Waldir Maranhão, comunicou logo depois da desistência: "A eleição do novo presidente da Câmara ocorrerá na próxima quinta, ás16 horas. Os candidatos podem ser registrados até o meio dia".

Às 18 horas de ontem, representantes de vários partidos, contestaram. E afirmaram, "estamos coordenando para que a eleição aconteça na segunda, no Maximo terça". Em suma: não ha suma. Nem data para a substituição. A nota oficial é recusada, mas por uma incerteza, que é o que domina o ambiente.

Mas se nem a data pode se objeto de um acordo, imaginem quanto aos nomes. Na semana passada, revelei: existem 6 candidatos, todos se dizendo "inarredáveis" Agora aumentaram, de varias tendências e provocando conseqüências. Outras abastecendo o clima com reticências. O "centrão" quer o apoio do presidente provisório, outros pretendem fugir de ligação com ele.

E o próprio provisório, recomendou a ministros, áulicos, apaniguados e assessores: "Não podemos ter candidato, é a forma de não sermos derrotados. Se ganharmos com 1 candidato, perderemos com todos os outros". Chamam a isso de "pragmatismo", eu identifico como falta de caráter, personalidade, convicções e objetivos.

Hoje e nos próximos dias, até á eleição, Brasília terá um final de semana de contatos prolongados e controversos. Isso no setor que tem a obrigação de fazer o que não fez durante quase 1 ano: a eleição do presidente da Câmara. Deveriam ter cassado o seu mandato de deputado, o que teria resolvido tudo. Compactuaram com ele, foram omissos e complacentes. Permitiram que RENUNCIASSE, e continuasse a luta. Pois para ele, começam agora: a tentativa de salvar o mandato e escapar da prisão.

Na presença de quase todos os outros deputados, relacionou o que vai conquistar. Afirmou, "estou sendo perseguido por vingança, por não querer aceitar exigências que contradizem com meu caráter e convicções". Foi na mesma linha, deixou claro, que até a data da renuncia e a hora, foram milimetricamente escolhidos. Há essa hora muitos já tinham ido embora. Depois,4 dias inúteis para trabalharem contra ele: hoje, sexta,sábado, domingo, segunda, e talvez terça.

O primeiro objetivo ou conquista: não ser cassado, continuar como deputado. Esse é o ponto de partida para o reencontro com a vida publica e a liberdade. Já escrevi tantas vezes, é a sua lição e o comportamento a partir de agora: repetir Renan Calheiros em 2007. Presidente do Senado, resistiu meses, perdeu a presidência, salvou o mandato, voltou a presidir o Senado, até hoje.

Continuando deputado, manter o foro privilegiado, "não irei preso, continuarei sendo julgado pelo Supremo". Aos que divergem da eficiência dessa manobra e afirmam, "você é réu duas vezes no Supremo", responde: "O Supremo não tem provas contra mim, é tudo pressão desse Procurador Janot". E vai desfilando, "as vitorias que irá obtendo". Garante que na segunda feira, a CCJ não votará contra ele e sim a favor.

Cunha está praticando uma espécie de MAQUIAVELISMO contra. Já expliquei aqui: precisa de 33 votos, ha10 dias publiquei afirmação dele mesmo: "Na CCJ tenho 27 votos, os outros 6 conseguirei". Ontem, uma pesquisa não contraria a ele, totalizava a seu favor, no máximo 20 votos.

Não esconde mas não diz publicamente, embora confirme nos bastidores: vai atuar na eleição do novo presidente da Câmara. Seu objetivo, aí declarado: "Ninguém será eleito sendo contra mim". “Não quero indicar ninguém, mas vetarei qualquer candidato que tenha como programa me hostilizar". Vou trabalhar muito essa eleição, pois apoiarei um candidato que me mantenha na residência oficial, pelo menos enquanto eu for deputado. (Essa afirmação não está entre aspas, a pedido, é exclusiva, poderia haver identificação).

No momento é impossível sequer admitir quem será o novo presidente da Câmara, Surgiram até alguns, que vieram com nova estratégia: dizem que gostariam de disputar o cargo a partir de 2017. Ou seja: o mandato inteiro.

Mas eles mesmos tentam uma conciliação, afirmam: "Para resolver a crise, nem sacrifico ficando apenas 6 meses". 5 deputados nessa situação. Não é sacrifício, È que eleitos agora, já seriam presidentes da Republica em agosto. Fevereiro é muito longe, e a proximidade de uma presidência mesmo por 10 ou 15 dias, que maravilha viver.

PS- Já bem tarde, um grupo que se julga majoritário, fechou acordo. E marcou a eleição da presidência para terça feira. Sem hora fixada.

PS2- Sem muita consulta, um grupo majoritário, pelo menos na CCJ, que iriam realizar reunião na segunda feira, imediata mentes se reuniram. E transferiram a reunião para o dia seguinte, terça. E marcaram a hora: 9 da manhã. Pelo regimento interno, quando o plenário se reúne e começa a "ordem do dia", as Comissões encerram os trabalhos.

PS3- Por tudo que contei, avaliem o tamanho da confusão e do previsível tumulto.