14.7.16

FORÇA, CUT E NOVA CENTRAL SE UNEM CONTRA ARROCHO SALARIAL NA BRF

Via Agência Sindical -


Força Sindical, CUT e Nova Central se uniram em ato na manhã de ontem (13), a fim de protestar contra o confisco salarial na Brasil Foods, dona das marcas Sadia e Perdigão.

As manifestações ocorreram na sede da empresa no Jardim Paulistano, zona oeste da capital paulista, e na Bolsa de Valores, onde são negociadas as ações da empresa.

Os protestos repudiaram o anúncio da BRF de que pretende adotar uma fórmula de meritocracia, conhecida como Salário Variável, como alternativa às negociações salariais tradicionalmente empreendidas com os representantes dos trabalhadores nas datas-bases. A proposta causou indignação nos trabalhadores e dirigentes sindicais, que cobram reajustes salariais dignos.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Alimentação de São Paulo, Carlos Vicente de Oliveira (Carlão), a intenção da empresa é atrelar parte do salário ao cumprimento de metas, coisa que não há a menor condição de aceitar. “Além de atrelar parte do pagamento ao cumprimento de metas, a empresa também sugere avaliações individuais dos trabalhadores que se reverteriam em bonificações”, disse à Agência Sindical.

Carlão denuncia que, apesar de ser uma das grandes empresas de alimentação do mundo, a BRF tem se esmerado em achincalhar o salário dos trabalhadores. “As medidas que ela quer impor promovem arrocho salarial e colocam trabalhador contra trabalhador. As bonificações também não serão contabilizadas para efeito de aposentadoria e outros benefícios”, explica.

Ele chama atenção ainda para a pressão psicológica que a proposta impõe aos trabalhadores, aumentando os riscos de acidentes graves e adoecimento.

O sindicalista conta que há fábricas nas quais a remuneração variável já é realidade. Isso estaria ocorrendo principalmente em pequenas cidades, nas quais a atividade econômica é extremamente dependente da presença da BRF.

“Por esse motivo, somos nós, nas grandes cidades, que precisamos chamar a empresa para o enfrentamento, impedindo que essa situação se espalhe por suas 35 plantas, que empregam cerca de 67 mil trabalhadores”, observa.

Atos - As manifestações tiveram a presença de representantes dos Sindicatos de trabalhadores nas indústrias de alimentação da Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul, além de outras categorias que se solidarizam com a luta do setor, como metalúrgicos e trabalhadores da construção civil.

"Sadia e Perdigão sempre foram empresas com as quais dialogávamos bem, até virarem BRF. A diretoria é truculenta, paga os piores salários, e tem como único objetivo cortar custos. Não iremos admitir arrocho salarial, nem pagamento atrelado a metas", afirma Siderlei Silva de Oliveira, presidente da Contac-CUT (Confederação dos Trabalhadores na Alimentação).