12.7.16

O VOO DOS TUCANOS

CARLOS CHAGAS -


Com o PT posto em frangalhos e o PMDB no poder sem poder pensar na sua preservação depois do período Michel Temer, seria hora do outro lado começar a pensar no futuro. Afinal, 2018 não parece tão longe assim. Tudo indica que o PSDB terá alguma chance, depois que Fernando Henrique Cardoso desceu a rampa do Planalto, treze anos atrás.

O problema é que ao contrário do PMDB, que carece de nomes para a próxima sucessão presidencial, os tucanos tem três: Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra.

Não dá para desde já selecionar um favorito. Claro que Aécio dispõe de uma espécie de direito adquirido, já que disputou a última eleição e não saiu-se mal, apesar de derrotado. Sua força está no passado, ainda que diante da necessidade de cuidar do futuro. Precisa, o mais rápido possível, definir seu novo perfil. Que propostas tem para o novo governo? Se for a mesma de Michel Temer, com tanta impopularidade garantida, corre o risco da rejeição.

Geraldo Alckmin dispõe de São Paulo em sua retaguarda. Não trás propriamente mudanças, sua mensagem até se acopla aos planos de Michel Temer. Como sensibilizar a massa trabalhadora que já apoiou o PT, fator essencial em qualquer hora ou situação?

José Serra corre por fora, mas também próximo do modelo neoliberal. Apresenta como vantagem a eficiência, mas difere muito pouco de Aécio e Alckmin, no particular.

Haveria no ninho tucano mais alternativas? Há quem suponha a ascensão de outros, como Aloysio Nunes Ferreira, mas não parece fácil.

A primeira necessidade, para o PSDB, é a união. Um dos três precisará contar com o apoio dos outros. Saltar de banda ou dedicar-se a uma aventura equivalerá a desandar o objetivo hoje definido, da conquista do poder.