22.7.16

TEMER COMPROMETE O SENADO, DESMORALIZA A POLÍTICA, DESPRESTIGIA O PAÍS

HELIO FERNANDES -

O ego de Michel temer é colossal, não tem limites. Apesar do estilo dúbio, melífluo, supérfluo, se considera um vencedor. Não apenas contraditório e provisório, mas efetivo e efetivado. E age como se esse fosse ou um fato consumado.

Quando na verdade, faltam ainda exatos 40 dias para que o plenário se manifeste irreversivelmente. Mas desde que a traição conspiração produziu o resultado impopular, de transformar o vice em presidente, em nenhum momento, Temer se lembrou ou se convenceu da interinidade.

E á medida que o tempo se esvai, considera que seu poder aumenta, vai falando sem parar, como se presidente fosse. Descuidado e desligado das conseqüências, internas e externas. Pela ordem dos fatos, a repercussão dos jogos Olímpicos que se iniciam dentro de 14 dias.

Inicialmente a previsão era no mínimo de 100 Presidentes e Primeiros Ministros. Agora o calculo de especialistas, não passa de 50, com reticências.

O Ministério do Exterior não sabe o que responder com tanta consulta ou interrogação. Pergunta recorrente e que precisa de resposta imediata. Quem vai recebê-los no aeroporto? Que assistência receberá, são Chefes de Estado e de Governo.

O encontro é esportivo, mas pela importância dos personagens será inegavelmente política. Pela incerteza, já se fala que logo depois da abertura, viajarão de volta, sem demora.

Esse desgaste externo, culpa exclusiva do provisório. E que provoca irritação interna, começando pelo Senado. Como Michel Temer projeta sempre o seu futuro, já sendo permanente e efetivado, os senadores a favor do impeachment, se irritam.

Pois fica mais do que evidente que participam de uma farsa. Ratificam o que muitos já denunciaram (incluindo ininterruptamente este repórter), que o "julgamento" será político e não jurídico.

As maiores queixas que saem do Senado e chegam ao Jaburu: "O governo só se interessa pelos senadores que julga indecisos". Logo tratam de convertê-los. Esquecendo os que combatem sem tréguas. E que pelas circunstancias, nem podem mudar de posição.

Como a questão foi colocada num confronto, permanência de Temer, volta de Dilma, ficam sem dilema ou alternativa. São ignorados e abandonados pelo provisório, e são obrigados a efetivá-lo.

Para terminar por hoje, com Temer, esse personagem interminável que trata os outros como coadjuvantes e que projeta o futuro, longe dele mesmo. Mas os fatos, dominados cada vez mais por sua vontade poderosa e irrefutável. Assim que Maia foi eleito presidente da Câmara, convidou-o para líder do futuro governo. Afirmou: "Vou aproveitar o recesso para acabar com algumas feridas".