22.7.16

TEMPO FECHADO; FESTA DA POESIA; AMOR MAIOR

MARCELO MÁRIO DE MELO -


TEMPO FECHADO
Barco furado

sem caneco e sem remo
carruagem sem cavalo
e fonte sem gota d’água.


Porta fechada
para entrar e sair
caminho de caco de vidro
sem sapato pra calçar

O sol ausente 
preso em nuvem escura
coveiro em sala de parto
e palhaço de mortalha.

Fundo de poço
com areia movediça
grade no final do túnel
lama com mel de carniça.

Tempo fechado
todos os mapas rasgados
a desvida ocupando
os campos da sobrevida.


***

FESTA DA POESIA
Vou pra festa da poesia
festa de entrada franca
ninguém é dono nem manda
ninguém promove ou banca.

Nela os portões são abertos
por nuvens de passarinho
e o recepcionista
é um cavalo marinho.

Para iluminar o espaço
as estrelas se abaixaram
e as cores do arco-íris
se soltaram pra pintá-lo.

Um gigante cata-vento
faz dupla com a espiral
na ciranda linha aberta
envolvimento geral.

Todos brincam nessa festa
falas gritos gestos risos
os mil brinquedos da vida
atraindo os indecisos.

Belas musas e arlequins
ensinam a sua dança 
cantam sussurram encantam
com leveza e fala mansa.

É a dança das palavras
o que eles nos ensinam
as palavras da poesia
que por toda parte minam.

É dança que dá poemas 
em fios enfeitiçados
nas colheitas de beleza
que se faz por todos lados.

No fim da festa se ergue
brinde à vida à alegria
com votos pra se ter mais
poesia no dia a dia.

Todos voltam para casa
com um poema na mão
frutos da dança com as musas
e sua fecundação.


***

AMOR MAIOR
Raios de esperança
raias de mudança

rios de nova dança
cio
flor
estrada nua
sol e lua

sendas
sedas
pés e mãos

dó re mi fa sol
laço e nó
batendo o pó

água 
que arrasta 
ilha a ilha
continente
amaravilha.