16.8.16

A NAÇÃO SOBREVIVERÁ À DECADÊNCIA DO ESTADO?

CARLOS CHAGAS -


NAÇÃO é um conjunto de indivíduos que normalmente falam a mesma língua, habitam o mesmo território, possuem passado,  cultura   e costumes comuns, assim como um mesmo objetivo e,  acima de tudo, dispõem da vontade de continuar juntos. ESTADO existe quando uma nação se organiza politicamente, adotando instituições capazes de gerir e ordenar a nação. GOVERNO é o grupo de cidadãos que, pela força ou pelo consenso, dirigem o estado. PAÍS é o território de uma nação. PÁTRIA, apenas uma projeção sentimental do conjunto.

Os rótulos, no entanto, não são mandamentos. De vez em quando enrolam-se e se atropelam, misturando-se e confundindo quantos imaginam exprimir a sua exegese uma ciência exata.

Vale referir que de quando em quando nos deparamos com nações  que falam diversas línguas e mantém costumes diferentes, como a Rússia e a China. Existem nações que habitam territórios distintos e separados, como o Paquistão e Bangladesh,  ou a Inglaterra e as Ilhas Malvinas, a França e o Suriname. Notam-se até nações sem território, como os judeus durante dois mil anos, antes da criação do estado de Israel. Também surgem nações divididas em dois estados, a exemplo das Coréias do Sul  e do Norte  e, até pouco, o Vietnã, a  República Democrática da Alemanha e a República Federal da Alemanha.

Essas simples e mal alinhadas referências nos conduzem a uma pergunta crucial: será o Brasil uma nação,  ou melhor,  continuará sendo?

A mesma língua caminha para tornar-se uma ficção, porque um gaúcho posto no Nordeste faz-se entender com dificuldade. Pronúncia, conceitos, cultura e costumes continuam se afastando, apesar dos esforços das novelas da Rede Globo.  Claro que existe um sentimento de unidade em todo o território nacional, por ação inicial do colonizador português. No empenho de ganhar dinheiro, os lusitanos realizaram esse milagre, ao tempo em que a América Espanhola fracionou-se em diversos estados e países. O passado, assim, costuma sinalizar as fraquezas de nossa formação, do Bequimão à Confederação do Equador e aos Farrapos até a predominância econômica e política de São Paulo, sem esquecer o sacrifício e a distância  do Nordeste.

Tendo em vista a calamitosa situação em que nos encontramos pela existência de dois Brasis, o formal e o real, que não adianta negar, o risco é flagrante. Já que com a evidência de a pátria só aparecer nos desfile militares e de o  governo haver perdido  a confiança e o respeito,  conclui-se que o estado vem sendo posto em frangalhos. E a nação, sobreviverá?