12.8.16

MACONHA, GOLPE E MULTIDÃO!

ANDRÉ BARROS -

Você pode até não gostar do governo Dilma, mas tem que concordar que tirá-la desta forma é um atendado à democracia. E se você acha que isso não tem nada a ver com você, pense de novo! “Se não respeitam a democracia, como vão respeitar direitos humanos e as garantias fundamentais, que são os direitos dos direitos?”.

Já estávamos vivendo os últimos suspiros de uma política ultrapassada, quando ocorre um retrocesso de cunho fascista.
Colocaram o país num campo onde não há espaço além de uma lógica binária e ainda se apropriaram do verde, amarelo e o vermelho, as cores do reggae.
Sou a favor da democracia formal, material e dos direitos humanos em todos os sentidos: social, político, econômico, civil e cultural.
Estamos vivenciando um golpe de estado com características do século XXI, sob o espírito do absoluto desrespeito à democracia. Depois de Getúlio Vargas, Jânio Quadros, João Goulart e dos vinte anos de ditadura, tudo indica que a primeira mulher Presidenta da República, eleita duas vezes, em quatro turnos, por voto direto, não vai terminar seu mandato.
Nesse ministério do golpista Michel Temer, composto somente por homens brancos, caminha firme e forte o Ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra.
O mesmo que propôs o “SNI das Drogas” e quer a prisão domiciliar noturna dos usuários, com acompanhamento de responsável, e a internação em instituições, geralmente de orientação religiosa e fundamentalista, chamadas de “clínicas acolhimento”, para os dependentes de drogas.
Não sou a favor do governo da Presidenta Dilma Rousseff, mas sou contra seu impeachment, nascido do despacho de um político destituído da Presidência da Câmara dos Deputados que vai ter o mandato cassado, o deputado federal pelo PMDB do Rio de Janeiro Eduardo Cunha.
Tempos sombrios se aproximam. Com folga, a Presidenta da República, Dilma Rousseff, foi pronunciada por 59 senadores.

Se não respeitam a democracia, como vão respeitar direitos humanos e as garantias fundamentais, que são os direitos dos direitos?

Já se não respeita a garantia de um plantador de maconha, que não faz mal a ninguém, de responder a um processo em liberdade, o que se esperar de um ambiente golpista tomado por fascistas?
Não podemos esquecer que esse golpe tem a marca de um dos maiores torturadores da História do Brasil, homenageado publicamente dentro da Câmara dos Deputados, o terrível Coronel Brilhante Ustra.
Maconheiras e maconheiros, que já estão acostumados a longas lutas, contra tantos preconceitos e que vivem um cotidiano violento: preparem-se, pois o caldo vai engrossar e daremos a resposta com retumbantes Marchas da Maconha por todos o país.
É hora de nos unirmos pra fazer multidão!
*ANDRÉ BARROS, advogado da Marcha da Maconha, membro do Instituto dos Advogados Brasileiros, ativista dos Direitos Humanos e candidato a vereador pelo PSOL do Rio de Janeiro Rio de Janeiro, 10 de agosto de 2016.