22.8.16

O "SONHO OLÍMPICO" ACABOU EM BAILE DE CARNAVAL AO SOM DE "CIDADE MARAVILHOSA". E O LEGADO OLÍMPICO PROMETIDO?

ALCYR CAVALCANTI -


Os Jogos Olímpicos versão 2016 chegaram ao fim, mas chegou a seu final em um grande baile de carnaval ao som de "Cidade Maravilhosa" que fez lembrar os grandes bailes do Copacabana Palace e do Teatro Municipal. Mas a quarta feira de cinzas chegou, em uma segunda feira de agosto de 2016. Uma pergunta fica no ar: "Qual será nosso Legado Olímpico". Para o ministro Leonardo Picianni houve um avanço significativo e a meta de ficar entre os dez primeiros não foi dele, nem de seu ministério. No quesito puramente esportivo fizemos o de sempre, com poucas medalhas em relação ao que deveríamos ter conseguido, se houvesse um melhor planejamento.  Sete medalhas de ouro, se por um lado foi um recorde, por outro vem mostrar o pouco caso ao esporte como projeto de nação. O programa de incentivo ao esporte a nível nacional desenvolvido pelas Forças Armadas ainda é tímido, embora quase 80% das medalhas tenham sido conseguidas graças ao Projeto. Se não fosse ele seria uma vergonha, um vexame tamanho família. Os governantes teriam de ter consciência (o que é difícil) e tomar como norma a frase de Nelson Rodrigues com adaptações, o Brasil passaria a ser a pátria de chuteiras, de sunga de natação, de luvas de box, dos remos das canoas e por aí.

Muitas medalhas foram conseguidas com esforços individuais e/ou genialidade dos atletas para citar somente dois Isaquias da canoagem e Neymar do futebol. Haverá necessidade de um projeto abrangente e de massa para começar na escola pública e com proteção (e verba) governamental prosseguindo nas universidades. Aí sim teremos centenas, milhares de atletas subindo ao pódio ao som do hino nacional. Foi de fato uma grande festa dentro e fora das arenas, em toda a cidade o que aconteceu foi uma grande folia. Vamos cultuar nossos heróis das medalhas graças aos seus esforços e incrível superação.

Os responsáveis pela Rio 2016 deveriam, mas não tomaram o exemplo de Londres que de fracassos anteriores chegou ao alto do pódio inúmeras vezes desbancando países favoritos e conseguindo ser superada somente pelos Estados Unidos, os britânicos tiveram 27 medalhas de ouro. Deveríamos também seguir o exemplo da Rússia que punida com excessivo rigor, de fato um rigor meramente político digno da "Guerra Fria" conseguiu superar as adversidades e conseguiu um muito honroso e digno de suas melhores tradições um total de 56 medalhas sendo 19 de ouro para tristeza do Comitê Organizador. O Rio de Janeiro foi assolado por uma infinidade de obras ao custo quase infinito, feitas como diria o escritor britânico Misha Glenny "Para Inglês Ver", ou seja para turistas e não para a imensa população da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, que junto com o Cristo Redentor conseguiu levar com beleza e mesmo com muita leveza Jogos Olímpicos que na prática temos de nos orgulhar, dentro daquilo que foi proposto, um grande espetáculo.  O Rio de Janeiro vai continuar lindo, mas nossa segurança, nossos hospitais, nossas escolas, nosso transporte, nossas moradias, como vão ficar, será que vão ficar ainda pior, para seguir ao pé da letra a máxima: "Pior do que Está Pode Ficar".

A pergunta no início da crônica quem deverá responder são os organizadores e responsáveis pela belíssima festa, mas que, infelizmente só durou quinze dias e acabou em um domingo chuvoso, pois até São Pedro e os deuses do tempo derramaram lágrimas pelo fim de festa, da mesma forma que o ursinho Misha chorou em Moscou pelo final de sua Olimpíada. Afinal qual será nosso legado, ´será apenas um legado simbólico?

Terminou o "Sonho Olímpico" e já começou a campanha eleitoral que vai nos colocar em uma triste realidade. E como diria o poeta Vinicius "Tristezas não tem Fim, Felicidade Sim".