17.8.16

PETRÓLEO E MILITARISMO – A RESPEITO DA INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ECONOMIA

WLADMIR COELHO -

O discurso neoliberal demoniza a participação do Estado na economia. Essa máxima da seita tem na repetição do dogma da incompetência estatal o seu fundamento, contudo a hipocrisia destes fundamentalistas do dinheiro oculta a intima ligação entre o Estado e os grandes grupos econômicos.

Nos Estados Unidos, sempre citados pelos fundamentalistas neoliberais como exemplo de não intervenção estatal na economia, o Estado revela-se como grande patrão mantendo a seu serviço um gigantesco contingente de funcionários públicos fardados espalhados em 150 bases militares em todo o planeta.

Os gastos do Estado estadunidense com seus soldados supera os US$ 340 bilhões anuais (isso mesmo bilhões) encontrando-se muito acima dos US$ 48 bilhões gastos no Estado chinês. Os Estados Unidos empregam 1.414.000 funcionários públicos – sem concurso -  somente no setor militar. Acha inchaço da máquina pública!

A intervenção do Estado na economia nos Estados Unidos, por via da militarização, não limita-se ao pagamento dos salários dos soldados assim devemos considerar a poderosa indústria que sobrevive a sombra deste modelo mortífero criando e fabricando armamentos destinados as forças armadas. Em 2009 esse setor recebeu do Estado US$ 712 bilhões em pagamentos.

A indústria bélica dos Estados Unidos existe, basicamente, para atender as encomendas estatais de mísseis, satélites, aviões, embarcações, encontrando-se o setor submetido à fortíssima regulamentação que impede a livre negociação de seus produtos sem a prévia e seletiva autorização estatal.

Neste ponto, a regulamentação da indústria bélica nos EUA, devemos observar a tendência do governo em liberar a venda de armamentos, preferencialmente, aos países localizados em áreas com potencial petrolífero.

Não é coincidência o recente aumento das vendas de armas estadunidenses aos países localizados no Mar do Sul da China. Essa região possui potencial petrolífero e seu controle é vital a política energética chinesa e seu controle é alvo de disputa internacional.

Na América do Sul não é diferente. O sociólogo Moniz Bandeira apresenta estudos reveladores a respeito da  disputa entre EUA e China que mobiliza a ampliação do número de bases militares do primeiro em  nosso subcontinente.

Recentemente foi anunciada a implantação na Argentina, próxima a chamada tríplice fronteira, de uma nova base militar estadunidense. Essa nova unidade militar, associada as existentes na Colômbia e no Peru, garantem o livre acesso dos militares estadunidenses ao Atlântico Sul e Pacifico. Não podemos esquecer do enclave colonial inglês localizado nas Ilhas Malvinas que servem de apoio ao controle do Atlântico região com ricas reservas petrolíferas.

Vejamos neste ponto a incrível associação entre controle das áreas produtoras de petróleo e intervenção estatal na economia. A política energética dos Estados Unidos – e naturalmente das demais potências econômicas – encontra-se muito distante dos dogmas da seita neoliberal notadamente aquele da livre iniciativa.

O dito setor petrolífero privado executa uma política econômica associada ao poder do Estado (observe: existe o poder econômico estatal) tornando difícil ou impossível a separação entre os interesses de um e outro.

Considerando esse quadro devemos observar que neste momento histórico o controle da Petrobras torna-se um elemento importante para a política de segurança energética dos Estados Unidos.

Para concluir essa política temos, até esse momento, uma ação ideológica amparada na divulgação dos dogmas da seita neoliberal que associam empresa pública à ineficiência e corrupção. Os limites dessa tática, todavia, encontram-se no acumulo de informação do povo brasileiro em relação ao controle colonial, imperial dos Estados Unidos.

Não foi obra do acaso a incerteza política e insegurança administrativa instalados no Brasil. Temos uma ação milimetricamente orquestrada seguindo o roteiro observado em outras partes do planeta. O preocupante fica em relação aos passos seguintes cujo resultado apresenta opções da implantação de ditaduras até a guerra civil.