11.8.16

PROVA OLÍMPICA SEM MEDALHAS

CARLOS CHAGAS -

Na sessão que começou na manhã de terça-feira  e entrou pela madrugada de ontem, horas preciosas de sono foram desperdiçadas pelos 81 senadores empenhados em degolar Dilma Rousseff. Não todos, é claro, pois 21 tentaram salvar o pescoço de Madame. Depois da aprovação do relatório de Antonio Anastasia, durante a apreciação do terceiro de  um dos quatro destaques derrotados, já quase no fim da reunião, um dos governistas amarelou, reduzindo a maioria para 58 senadores e ampliando a minoria  para 22. No resto, parece estar definido o placar final da novela a ser encerrada no fim do mês: 59 a 21, ainda que certeza, só no fim da derradeira votação.

Faz muito que todo o plenário e a torcida do Flamengo  sabiam desses números, tornando-se um desperdício ficarem os senadores por mais de 17 horas amontoados no plenário. Engana-se quem supuser que permaneceram em recatado silêncio, ouvindo os discursos e intervenções. Sob o olhar vetusto do ministro Ricardo Lewandowski, que presidia a sessão como presidente do Supremo Tribunal Federal, Suas Excelências conversavam, riam, contavam piadas e brincavam com os abomináveis joguinhos de telefones celulares.

Um discurso foi elogiável: do ex-ministro da Justiça e Advogado Geral da União, Eduardo Cardoso, na defesa do Dilma Rousseff. Não adiantou nada, pois todos já tinham opinião formada. A trinca do barulho, Gleise Hoffmann, Vanessa Graziotin e Lindbergh Farias,  marcou a mesma presença de sempre, tumultuando e procurando protelar os trabalhos, mas dessa vez esbarrou na inflexibilidade do ministro  Lewandowski, que extremamente polido e  educado, impediu  excessos.

A senadora Vanessa teve tempo, em função dos dois intervalos na longa reunião,  de se dirigir ao seu gabinete e trocar duas vezes de roupa.

Agora que se inicia o julgamento  da presidente afastada, com oitiva de testemunhas e arrazoados finais, a expectativa  é de mais uma olímpica sessão do Senado para o afastamento definitivo de Dilma. Só que não haverá medalhas a distribuir. A grande dúvida é saber se haverá tempo para o presidente Temer deixar de ser interino para poder viajar para a China.