20.10.16

AGENTE PROPAGANDA

Por LUIZ ARRAES -


Um dos mistérios que cercam o atual governo é o foco em investimentos em propaganda. A bolada  que vem sendo paga à imprensa amiga, desde que assumiu o  presidente interino Michel Temer, escancara mais uma  inequívoca contradição no discurso  oficial de emergência econômica,  diante da propalada crise.

Em “O trem da alegria”, título da matéria  que traz  levantamento sobre o tema, seu autor, o jornalista Miguel do Rosário, do blog  “O Cafezinho”,  ressalta,  na lista com 23 empresas,  o aumento médio de  900% no volume de  repasses financeiros à grande mídia alinhada ao governo, ante igual período de 2015. Para além do perigo que o oligopólio da mídia em nosso país representa para a democracia,  a imprensa por sua vez se apequena, no exercício  de sua principal função  e legado, diante da  evidência de a cobertura jornalística  crítica de  outrora ter se convertido em  inércia  em  bajulação servil ao governo e aos seus ministérios. Como exemplo, tome-se o  retumbante silêncio da mídia,  ante os erros de dados   que figuram  em metade dos  oito itens  apresentados para expor  a “realidade das  contas públicas”, na nova peça publicitária de Michel Temer.

A tática  que vem sendo adotada pelo governo tem todo o jeitão de que ambiciona, com o mecanismo, consolidar sobre o  Congresso e a imprensa, completo domínio. A tratativa possivelmente guarda  relação com o vergonhoso índice de 14,6% de aprovação sobre o qual patina Michel Temer, conforme aponta levantamento divulgado dia 19/10, pelo  MDA Pesquisas, em análise encomendada pela CNT (Confederação Nacional do Transporte). O contexto permite concluir que a  força hegemônica empregada no infausto objetivo de fazer calar a população é proporcional   à meta, nociva à sociedade como um todo,  que tentará impor o governo, com  o fim da CLT, da  previdência,  e aprovação da PEC 241, que pretende congelar investimentos em saúde e educação  por 20 anos.







*Luiz Arraes - Presidente da Federação Estadual dos Frentistas,Tesoureiro do Sinpospetro de Osasco e Região e Diretor de Patrimônio na CNTC.