22.10.16

JORNALISTA AMEAÇADO DE MORTE É DEMITIDO DE AFILIADA DA GLOBO NO PARANÁ; JAPONÊS DA FEDERAL TEM PENA REDUZIDA E PERMISSÃO PARA RETIRAR TORNOZELEIRA ELETRÔNICA

REDAÇÃO -

Afiliada da Globo no Paraná, a RPC demitiu o jornalista James Alberti, produtor das primeiras reportagens do Jornal Nacional sobre a operação Lava Jato. A demissão aconteceu apenas nove meses depois de o repórter voltar de uma viagem forçada ao exterior, para se proteger de ameaças de morte recebidas quando conduzia investigações envolvendo corrupção e pedofilia.

A emissora disse a Alberti que ele foi dispensado em uma redução de custos que eliminou o emprego de outros 15 profissionais. No meio jornalístico, no entanto, a demissão causou estranheza não só pelas recentes ameaças de morte e pelas inevitáveis insinuações de que o corte poderia ter sido motivado por pressões políticas. Alberti é o jornalista mais premiado da história da RPC.

Em 2010, uma investigação de dois anos comandada pelo produtor resultou na “demissão” de 724 servidores fantasmas da Assembleia Legislativa do Paraná, gerando uma economia de mais de US$ 400 milhões por ano aos cofres públicos.

A reportagem rendeu à rede paranaense de TV alguns dos prêmios mais importantes do jornalismo. A série Diários Secretos, como foi batizada, levou o Grande Prêmio Esso, o mais desejado do país, e o Global Shining Light Award, um dos principais do jornalismo investigativo mundial. A entidade que entrega a láurea considerou a reportagem uma das dez mais impactantes da história do jornalismo investigativo, ao lado do escândalo Watergate (1972).

O jornalista esteve por trás do noticiário da Lava Jato até março do ano passado, quando trocou Curitiba por Londrina para se aprofundar nas investigações da Publicano, operação da Polícia Federal contra um esquema de desvio de dinheiro da Receita Federal, fraude na manutenção de veículos oficiais do Estado e corrupção de menores. Entre os envolvidos, estavam um primo, o fotógrafo e um colega de corridas do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB).
(Via Notícias na TV)

***

Justiça brasileira: Japonês da Federal tem pena reduzida e permissão para retirar tornozeleira eletrônica

O agente da Polícia Federal Newton Ishii não usa mais tornozeleira eletrônica. Conhecido como o “Japonês da Federal”, ficou famoso ao escoltar os principais envolvidos na Operação Lava Jato que foram detidos e encaminhados à sede paranaense da instituição.

A informação foi confirmada ao UOL nesta quinta-feira (20) pela assessoria de imprensa da Polícia Federal em Curitiba, onde Ishii é chefe do núcleo operacional. Uma das atribuições dele nessa função diz respeito à custódia e escolta de presos.

No local estão 16 presos na carceragem –13 deles, réus da Operação Lava Jato, como o ex-deputado Eduardo Cunha, o ex-ministro Antonio Palocci, o doleiro Alberto Yousseff e o empresário Marcelo Odebrecht. Os demais presos respondem por tráfico de drogas e contrabando.

Segundo a assessoria da instituição em Curitiba, o uso de tornozeleiras pelo agente, desde junho passado, deveria ocorrer até esta sexta-feira (21), mas ele obteve a remissão de 27 dias da pena por ordem da Justiça Federal porque, desde que começou a usar o dispositivo, teria um dia de pena abatido a cada três dias trabalhados. O cumprimento da medida terminou no último dia 4.

Ishii foi condenado em 2009 por corrupção e descaminho porque teria facilitado a entrada no Brasil de produtos contrabandeados do Paraguai. Ele recorreu da decisão em  instâncias superiores, mas, em março deste ano, a condenação foi mantida pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). O agente pegou quatro anos e dois meses de prisão, mas não perdeu o cargo público.

Ele chegou a se apresentar e ser preso, mas, como era réu primário e não tinha cometido o crime mediante violência, foi beneficiado pelo regime semiaberto, com uso de tornozeleira –com a ressalva de que permanecesse em casa entre 23h e 5h e aos finais de semana, além de não se ausentar de Curitiba e região metropolitana sem autorização. 
(Via UOL)