24.10.16

SOBRE A EXISTÊNCIA DAS IDEOLOGIAS

CARLOS CHAGAS -

Dos trinta partidos hoje funcionando no Congresso, sobrarão quantos, caso se desenvolva mesmo a proposta da introdução de cláusulas de barreira ou de desempenho no bojo da reforma política? Há quem preveja oito, um pouco mais, um pouco menos. Uma aglutinação de legendas é tida como certa, desaparecendo os partidos de aluguel e até uns tantos históricos, mas sem votos.

O natural seria uma divisão ideológica, com três grandes correntes: os defensores da extinção de  direitos sociais; os empenhados em sustentar e até restabelecer prerrogativas sociais surripiadas; e os indefinidos, ora inclinados pela supressão ainda maior das vantagens concedidas ao trabalhador, ora influenciados pela concessão da melhoria das condições de vida  dos assalariados.

O diabo é que em praticamente todos os trinta partidos atuais existem grupos defendendo uma e outra dessas alternativas, em permanente confronto. Hoje, ganham os adeptos de mudanças capazes de retirar direitos dos necessitados, bem como de aumentar as benesses dos que vão muito bem, obrigado. Amanhã, o pêndulo poderá se inverter, como foi ontem.

Dirão os céticos existir essa dicotomia desde que o mundo é mundo, mas à medida em que o tempo passa, mais se tornam imprescindíveis as definições. O risco é de uma das duas tendências tornar-se tão superior à outra que determinará a impossibilidade da convivência. Nesse caso, virá o imprevisível, como já tem acontecido.

A conclusão é de que erram os doutos hoje concluindo pela inexistência das ideologias. Elas existem, sim, às vezes camufladas e às vezes surpreendendo, ainda que impossíveis de ser negadas. Quem quiser que acione seus termômetros para aferir aonde vamos, sabendo do perigo das radicalizações.